A BAHIA COMO CASA
Ser estrangeiro e morar em outro país é encarar um modo de vida diferente do que se está acostumado. A língua, o clima, os temperos, as saudações entre as pessoas, o jeito de solucionar problemas. Cada lugar tem uma organização própria, fusão da cultura com as condições estruturais. Salvador, primeira capital do Brasil, nasceu de misturas e tem como marca um povo que gosta de falar e agir com afetividade.
Banhada pelo mar de Todos os Santos, erguida sob o selo sincrético, Salvador recebeu uma leva de imigrantes a partir do século XIX. Foram espanhóis, mas também portugueses, franceses, italianos e alemães, que somaram-se aos colonizadores, ex-escravos e índios. A terra, que foi musa de Dorival Caymmi e é lembrada em versos saudosos pelos ilustres rebentos Gilberto Gil e Caetano Veloso, é um verdadeiro mosaico de povos e cores. Arriscamos um palpite de que toda a beleza e o misticismo que a envolvem sejam fruto das trocas, da disposição da nossa gente para transformar fronteiras em laços e acolher os filhos de outras bandas.
Mais de 27 mil estrangeiros moram em Salvador, segundo dados do Departamento da Polícia Federal (DPF). Em tempos de globalização e circulação de pessoas, quando o mundo está com os olhos voltados para as crises migratórias na Europa, mas que também já repercutem no Brasil, ficamos curiosos em saber as histórias de quem saiu do próprio país e escolheu a capital da Bahia como casa. Queríamos descobrir como lidam e participam da dinâmica da cidade, com as dores e delícias que ela carrega. O caderno é também um pedido para que o mundo tenha mais tolerância e menos preconceito, que dê voz a diferentes sujeitos.
Nas reportagens, ouvimos os chineses que tomam conta do comércio na Av. Sete, Joana Angélica e Carlos Gomes, buscamos famílias de imigrantes que criaram os filhos com costumes tradicionais das próprias culturas e visitamos comunidades de baixa renda para conversar com os moradores estrangeiros. Também fomos atrás de Mohamed Camara, o menino de Guiné, que fez teste para jogar futebol no Bahia e hoje tenta ser lutador de MMA.
Para o site, produzimos vídeo com depoimentos de gente de fora que adotou o jeito baiano de ser e um mapa que divide a cidade em emoções a partir de experiências de imigrantes. Além disso, montamos uma galeria de fotos com personalidades de outros países que foram importantes para a história e a cultura da Bahia.
Este produto representa o fim de uma caminhada de três meses da 9ª turma do Correio de Futuro. A equipe, formada por dez estudantes de Jornalismo, do 4º ao 7º semestre, da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Universidade Federal do Recôncavo (UFRB) e Faculdade da Cidade participou de palestras, viveu uma imersão na rotina produtiva do jornal ao lado dos repórteres e pensou todas as etapas da construção do produto. O programa realizado pelo CORREIO, em parceria com a Faculdade Social da Bahia (FSBA), conta com o patrocínio da Odebrecht e Petrobras.
Boa leitura!

Adônis Matos

Lara Bastos

Mariana Sales

Alessandra Lori

Andrea Chaves

Juliana Leite

Luana Silva

Jasmin Chalegre

Hilza de Oliveira

Simone Melo
