Ela faz parte de uma das muitas famílias de chineses que se fixaram em Salvador e abriram pontos comerciais. Este movimento teve início há cerca de 10 anos, segundo o presidente do Sindicato dos Lojistas (Sindilojas), Paulo Motta. “As famílias perceberam que é bom estarem estabelecidos, sair do comércio ambulante, e tiveram poder econômico para adquirir pontos interessantes para explorar a atividade”, conta, lembrando que eles buscam a atuação no mercado formal.
Eles andam apressados e montam lojas rapidamente. Em duplas, às vezes trios, com os filhos ou cônjuges, dirigem-se para os mais de 20 pontos comerciais que possuem nas avenidas Sete, Joana Angélica e Carlos Gomes, conforme aponta mapeamento do CORREIO (veja abaixo).
A Avenida Carlos Gomes e as ruas do Cabeça e da Forca foram os locais escolhidos pelos donos de restaurantes. No trecho, dos 13 restaurantes, seis são de chineses. Os cardápios têm comida brasileira, com a adição do yakisoba – macarrão, com vegetais, legumes e carne de boi, frango ou camarão – típica do Oriente.
Na Avenida Sete e na Joana Angélica, a principal mercadoria vendida por eles são as bolsas femininas, de diversos tamanhos e cores. Outros itens como cintos, moedeiras, pequenos eletrônicos e bugigangas em geral também disputam espaço nas lojas. Da esquina da rua Clóvis Spínola à Praça da Piedade, na Avenida Sete, a cada oito lojas uma é deles. E os planos são de novas expansões.
Em outubro, eles abriram duas novas lojas na Avenida Sete. Desta vez, nada de bolsas. Os empreendedores xing-
lings estão diversificando. A aposta foi em bijuterias. Se serão bem-sucedidos, só o tempo dirá, assim avalia o presidente do Sindilojas. “É extremamente eclética a maneira como eles exploram as mercadorias. O que nós temos que verificar é como o mercado se comporta. É uma questão de tempo”, diz Paulo Motta.
Numa das novas lojas, a Chic, foram os proprietários que cuidaram da reforma. Sem a ajuda de pedreiros ou pintores, três jovens, sob a supervisão de outro mais velho, todos da mesma família, subiam em escadas para serrar o gesso do teto, faziam pequenos reparos e montavam estantes.
Não é possível precisar quantos chineses têm comércio no Centro, tampouco quanto faturam. Órgãos como a Junta Comercial do Estado da Bahia (Juceb), a Secretaria Municipal da Fazenda (Sefaz), Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) e Secretaria Municipal de Urbanismo (Sucom) não dispõem da informação com este recorte. Mas eles estão cada vez mais presentes, como é possível perceber em uma caminhada pelo centro.
Ching Long Wu, 51 anos, é conhecido como “Seu China”, mas nasceu em Salvador e foi criado na Baixa de Sapateiros. Há quase 100 anos a família dele deixou Macau para firmar residência na Bahia. Ele chegou a morar na China por 15 anos, mas voltou para administrar o negócio da família. “Minha família foi uma das pioneiras na Cidade Baixa no ramo de lavanderias”, lembra. O avô veio primeiro, trazendo os equipamentos. Em 2006, Long abriu a loja de artigos decorativos na Carlos Gomes, onde trabalha até hoje.