André Luís nunca tinha colocado uma peruca, um salto nem batom na vida. Mas, em 1986, quando foi com amigos para um concurso de beleza gay em Natal, no Rio Grande do Norte, transformou-se em um ator transformista em conquistou 5º lugar na premiação. De lá pra cá, as roupas femininas ganharam espaço no guarda-roupa do ex-faturista de uma empresa de contabilidade que ganhou os palcos e completa 30 anos de carreira como referência na arte do transformismo na Bahia e do Brasil.

Nascido no bairro do Rio Vermelho, em Salvador, o ator transformista André tira o sustento da sua vida da marca Bagagerie Spilberg. O nome nasceu quando André passeava pelo antigo Shopping Iguatemi, no ano de sua inauguração, em 1985. Tinha uma loja chamada que vendia peças de roupa masculina e feminina chamada Bagagerie. Desde então, passou a dublar canções da cantora Alcione, Shirley Bassey e Maria Bethânia, sua maior referência.

As três décadas de Baga no palco começaram quando André se apresentou como cover do cantor Ney Matogrosso em um programa de televisão. “Ali eu tive a certeza que eu queria estar no palco”. Até 1991, Baga só fazia dublagens, mas desde então passou a trabalhar com apresentações onde declama versos de Clarice Lispector, Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes, dentre outros.

Hoje, aos 49 anos, André acumula experiência de apresentações em teatros e como mestre de cerimônias. Como referência ela segue Maria Bethânia. Ela é a luz da minha casa. A vida de Baga é o palco assim como a dela. Fora do palco não sei me comportar como mulher por isso discordo um pouco dessas meninas que ficam dando close nas boates antes de fazer o show. Elas ficam sentadas no público com a mesma roupa do show. Isso perde o encanto, diz.

Fora do palco não sei me comportar como mulher por isso discordo um pouco dessas meninas que ficam dando close nas boates antes de fazer o show. Elas ficam sentadas no público com a mesma roupa do show. Isso perde o encanto

Vestido como Baga, inclusive, André revela que nunca se relacionou com ninguém. Já tive alguns relacionamentos, mas nunca beijei um homem vestido de mulher, revela.  André conta que o processo de aceitação da arte transformista é difícil. Minha família só me viu quando eu participei do programa de Regina Casé (Brasil Legal/TV Globo), lembra.

Concursos
Todos os sábados  ela se apresenta do clube masculino Planetário 11, no Tororó, faz eventos fechados, aniversários, despedidas de solteiro, e faz shows para senhoras da melhor idade. Esse público me adora. Realizo há 12 anos um concurso de  voltado para senhoras, chamado Miss Universo 50 graus, diz. Domingo (3), Baga realiza mais um dos seus concursos: será o Oscar 2016 no Teatro Espaço Xisto Bahia (nos Barris) a partir das 17h .

Em 2001, Ivete Sangalo foi madrinha do concurso

Baga comanda também, desde 1995, o concurso Miss Brasil Gay em Salvador. O concurso nasceu quando André conheceu amigos que se montavam para concursos. “Nunca deixei de fazer. É uma dificuldade fazer evento que tenha o nome gay. Para aceitar é muito difícil. Quando você precisa de uma pessoa para apoiar eles tem medo. A palavra gay assusta embora muita queria ganhar dinheiro em cima”, reclama Baga, que só consegue realizar o evento com a vaquinha entre amigos, que ela chama de Fazcultura da Amizade.   O concurso esse ano elegeu a estudante Alice Pontes, 18 anos, como primeiro lugar. 

O universo gay adora concurso de beleza. Por isso que eu faço até hoje o concurso

Ivete Sangalo, uma das madrinhas do concurso, segundo Baga apoiou muito o evento. “Ela foi madrinha por um ano, no ano seguinte foi lá e levou Scheila Carvalho e por cinco anos mandou kits com brindes para as candidatas. É uma mulher diferenciada”, lembra Baga.

 

Veja foto-reportagem sobre o concurso Miss Gay Brasil 2015

 

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