“O cidadão me encurralou na pia do banheiro, pôs os dedos no meu rosto em formato de uma arma e gritou dizendo que eu era um “viado”, “pau no c*” e que ia me quebrar na porrada. Foi terrível! E, como se não bastasse, ele disse que nós, os homossexuais, estávamos cheios de razão e direitos” . Com essas palavas, o estudante de Letras Jeferson Campos, 24, denunciou que foi vítima de homofobia dentro do banheiro do Shopping Barra.

Através do Instagram, ele relatou que foi vítima de homofobia por um segurança de uma terceirizada contratada pelo empreendimento.

Jeferson disse que, na discussão dentro do banheiro, os homens chamavam os gays de “viados da desgraça” e que estava “sobrando mulher porque os homens estavam “tudo dando a bunda”. Ele informou que estava no banheiro quando presenciou uma conversa entre dois homens de forma preconceituosa. Ele questionou e, por conta disto, ele foi ameaçado por um deles, que é funcionário do shopping.

Segundo a vítima, um dos homens usava fardamento do Grupo MAP, empresa que terceiriza serviços para o empreendimento.

“Eu, enquanto gay, me identifiquei como tal e perguntei a ele qual era o problema dos homens “darem a bunda” e o que ele tinha a ver com isso. Disse que ele estava me ofendendo e ofendendo pessoas semelhantes a mim, e que homofobia era crime”, escreveu.

O estudante disse que, depois da ameaça, procurou a administração do shopping. Em resposta, ouviu que “poderia ter evitado isso”.

“Procurei a administração do Shopping Barra, conversei com o coordenador da segurança e ele me disse que eu poderia ter evitado isso. Usou como exemplo o fato de sermos negros e de sofrermos racismo. Ele disse que se escutar alguém dizer que não gosta de preto, que escutaria e iria embora, tentando colocar pano quente na situação. Imaginem. Naturalizando o racismo e a homofobia. Então os homossexuais que foram assassinados poderiam ter evitado? Nos vários casos de feminicídio, as mulheres vítimas poderiam ter evitado? A postura desse senhor só reforça a cultura de sempre culparem a vitima”, relatou o estudante.

Em nota, o Shopping Barra pediu desculpa pelo ocorrido e afirmou que “repudia qualquer forma de preconceito ou discriminação”. “Diariamente reforçamos esse posicionamento com nossos colaboradores e terceirizados. Essa situação narrada não reflete o pensamento do Shopping Barra e por isso pedimos desculpas” disse.

O empreendimento, no entanto, não especificou se haveria algum tipo de punição ao funcionário, que também não teve o nome divulgado. O estudante afirmou que não conseguiu fazer o registro policial do caso.

“O agente que me atendeu se recusou a registrar a ocorrência porque disse que eu não tinha o nome do agressor. Mas, nesta segunda-feira (13) eu irei novamente na delegacia com minha advogada”, afirmou o estudante referindo-se à 14ª delegacia (Barra). O Me Salte entrou em contato com a delegacia, mas não teve retorno até o fechamento dessa reportagem.

Em junho do ano passado, a homofobia foi criminalizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O crime foi enquadrado na Lei de Racismo (7716/89), que hoje prevê crimes de discriminação ou preconceito por “raça, cor, etnia, religião e procedência nacional”.

https://www.instagram.com/p/B7MMyuqHX_c/

Em nota, a Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social da Bahia (SJDHDS) informou que ‘está acompanhando os casos de violação de direitos contra a população LGBTQIA+ registrados em Feira de Santana e em Salvador nos últimos dias’.

“Por meio da Coordenação de Políticas LGBT, a SJDHDS ofereceu assistência e acompanha Guell Cadillac, mulher trans impedida de usar o banheiro feminino num bar de Feira de Santana, e Jeferson Campo, jovem que sofreu violência LGBTfóbica dentro de um shopping de Salvador. O Centro de Promoção e Defesa dos Direitos LGBT da Bahia (CPDD-LGBT), localizado no Casarão da Diversidade (Rua do Tijolo, nº 08, Pelourinho), equipamento da SJDHDS, dispõe de equipe formada por advogados, psicólogos e assistentes sociais para auxiliar e acolher as vítimas”, disse o órgão.

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