Diariamente noticiamos casos de violência e desrespeito aos direitos humanos sejam eles contra LGBTs, mulheres e pessoas com deficiência. Para que esse tipo de prática e atitude deixe acontecer é preciso investir na educação. A opinião é da professora portuguesa Ana Campina, que está em Salvador e fez ontem palestra de abertura da XIV Semana Acadêmica da Faculdade Social da Bahia (FSBA), que encerra hoje com o tema A Sociedade do século XXI: saberes, poderes e verdades.

“Falar dos direitos humanos é realmente pantanoso nesse momento. Temos um problema comum em vários lugares do mundo que é a questão da violência que começa pela forma de pensar. A xenofobia, a homofobia, o racismo, o feminicídio e a LGBTfobia são reflexos da forma de pensar das pessoas”, afirmou Ana que é professora da Universidade Portucalense Infante D. Henrique (Porto – Portugal) e atua como Investigadora do Instituto Jurídico Portucalense.

Graduada em Ciência Políticas, Campina destaque as religiões têm importante papel para melhorar as condições como são tratadas as questões relacionadas aos direitos humanos no desenvolvimento, inclusive, de políticas públicas que não atendem a igualdade. “Temos políticas públicas que não sabem lidar com as questões de gênero. Mas além das políticas públicas tem outra coisa que tem um peso grande que é a religião. O catolicismo, a igreja muçulmana e o judaísmo são três pesos pesados a nível mundial que defendem a igualdade mas uma igualdade perante um Deus, cada uma a sua maneira. Os livros das religiões não se opõem à   igualdade. O problema é a interpretação que é feita por seus seguidores”, pontua.

É preciso colocar as leis que já existem em prática e punir, pela sociedade e judicialmente,  aqueles que praticam atos que vão de encontro com os direitos humanos

A educadora criticou ainda os padrões impostos pela sociedade. “Os padrões precisam ser ajustados. Os desenhos da Disney precisam ser alternados e adaptados assim como as histórias dos contos de fadas e publicidade além de roupas que são colocadas com são ditas de homens e de mulher”, afirma. Além desse processo educacional a professora sugere que haja um engajamento maior de classes educacionais. “Grupos artísticos precisam se engajar nessas ações

Ana Campina recebeu a professora Ana Campina na redação do CORREIO Foto: Betto Jr/CORREIO

Jorge Gauthier recebeu a professora Ana Campina na redação do CORREIO
Foto: Betto Jr/CORREIO

Campina ressalta que é preciso trabalhar a educação para os direitos humanos de forma específica para cada região e tipo de público. “Ser normal é reconhecer o outro na sua condição de vida. Precisamos de uma educação e reedução dos direitos humanos. O que mais me preocupa são que os que mais discriminam são os jovens. Esse é o ponto chave para o reconhecimento da igualdade.A lei é cega, mas precisamos humanizar a lei através da educação para os direitos humanos. É preciso usar os meios de comunicação social de forma incisiva. Hoje, não denunciamos os crimes que acontecem. Há muitos países onde os homossexuais, mulheres e homens não têm direitos nenhum. Temos a situação da China que o regime encobre muitas coisas”, afirma a professora lembrando que há mais de 80 países que, por exemplo, condenam a homossexualidade.

 

18 de outubro de 2016

“Os livros das religiões não se opõem à   igualdade. O problema é a interpretação”, diz Ana Campina 

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