Satta Flor*

O BBB20 tem dado o que falar, concorda? Ainda que você não assista o reality (como eu), certamente as informações chegam até você através das redes sociais. Um dos temas que chamou atenção do público foi a assexualidade depois que o psicólogo Victor Hugo admitiu ser assexual Antes eu odiava quando alguém falava ‘você é gay?'”, contou o brother. “Mas você é?”, perguntou Manu Gavassi. “Não, sou assexual”, respondeu Victor.

Aposto que muita gente sequer havia escutado essa palavra em algum momento da vida. Talvez você (se era um aluno que prestava atenção nas aulas de biologia/ciências) tenha se remetido ao termo assexuado (que jamais deve ser usado para se referir a uma pessoa).

Assexual é aquele indivíduo que não sente (ou quase não sente) atração sexual por outros, mas dentro disso encontraremos várias especificidades. Nos dois “blocos principais”, existem os assexuais românticos (aqueles que não desejam a experiência com o sexo, mas estão dispostos a uma parceria amorosa) e os arromânticos (que se sentem melhor sem esses laços).

Os assexuais românticos podem ser heteromânticos, homoromânticos, birromânticos e panromânticos. Isso vai designar para que gênero vai a atração (romântica) dessas pessoas. Estima-se que 1% da população se identifique com essa orientação sexual.

Ficou complexo? Talvez sim, mas fique tranquilo! Isso costuma acontecer com toda informação nova que difere muito daquelas as quais estamos habituados. Imagine estar inserido em uma sociedade altamente sexualizada e perceber que existe uma parcela da população que nada literalmente contra essa maré?

O preconceito com as pessoas assexuais é grande porque muita gente não entende como é possível alguém viver sem sexo e/ou sem sentir atração sexual, mas calma lá: quem disse que assexual não experimenta prazer sexual?

É possível que dentro de um relacionamento onde exista muita confiança, cumplicidade, respeito e condições favoráveis, um assexual romântico sinta vontade de fazer sexo com seu par, bem como desfrutar da masturbação. É possível também que essa pessoa – dentro de um relacionamento – faça sexo para agradar o par (quem nunca?). São infinitas possibilidades, mas as que incluem a prática sexual tendem a ser exceções e não regras.

COMO SABER SE EU SOU (OU ME RELACIONO) COM ALGUÉM ASSEXUAL?

  1. Você não sente atração sexual

Aqui não cabe o: antes eu sentia tesão e agora não sinto mais. No caso dos assexuais se aplica questões hormonais, de baixa libido ou alguma disfunção sexual. Se você NUNCA sentiu atração por ninguém, pode ser um dos sinais.

  • Você não enxerga muito sentido em fazer sexo

Para uma pessoa assexual, o sexo nunca será o centro de tudo. Na verdade, ele é completamente dispensável e a pessoa tende a ficar tranquila com isso.

  • Você se sente ou já se sentiu pressionado para fazer sexo

Pode parecer estranho para os seus amigos e família a sua falta de interesse em sexo. Essa estranheza pode gerar uma pressão e você se perceber obrigado a fazer algo que não quer. Ainda que você ceda à pressão, a tendência é que não seja uma experiência incrível como costumam relatar.

  • Você não se sente atraído pelas pessoas

Você vai olhar, admirar, gostar, encontrar beleza, achar a pessoa super gente boa, mas isso não vai avançar para um interesse sexual.

  • Conexão emocional é o suficiente

Claro que assexuais amam, mas tende a ser a nível emocional/intelectual e não físico.

  • Os parceiros não compreendem

Um assexual romântico tentando se relacionar com uma pessoa que coloca o sexo na lista de prioridades talvez não dê muito certo, já que as pessoas tendem a classifica-lo como “frio” (tomando como referência os modelos de relação baseados no aspecto sexual).

  • Você sente ou já sentiu que tem algo errado contigo

Todo mundo – desde que o mundo é mundo – coloca o sexo como a oitava maravilha do mundo.  Aí você nasce, cresce, vê os amigos tomando rumos afetivos/sexuais e não apresenta interesse algum por experienciar algo parecido. Para completar, as novelas, os filmes, os livros, TUDO vem para mostrar o quão “natural” e prazeroso é o sexo, mas ainda assim seu interesse não desperta.

A assexualidade ainda é uma temática escassa e com pouca visibilidade, então é natural que as pessoas sintam que existe algo “defeituoso” com elas. Sempre recomendo como ferramenta de suporte a psicoterapia. Um bom psicólogo/terapeuta vai ter as ferramentas necessárias para conduzir esse indivíduo de forma amorosa, respeitosa e acolhedora.

CONHEÇO ALGUÉM ASSEXUAL. O QUE EU PRECISO SABER?

Não acredito que tratar com respeito um ser humano seja um bicho de sete cabeças, mas entendo que a gente ficou tão preso durante anos no bulliyng, nas brincadeiras sem graça, nas piadas disfarçadas de racismo, homofobia, gordobobia, etc que soa desafiador ocupar o lugar do simples.

Não faça perguntas/afirmações do tipo:

“como você não sente falta de sexo? É uma maravilha!”

“mas você já tentou transar?”

“aposto que é porque você não encontrou a pessoa certa”

“se eu fosse você eu dava porque ele/ela pode arrumar outra pessoa e te largar”

“o que você faz para substituir o sexo?”

A lista do que não dizer é vasta, mas o nosso nível de crueldade com aquilo que não faz parte do nosso cotidiano, pode ser também. Para mim, em especial, vale sempre buscar informações para reduzir ao máximo a possiblidade de ser inconveniente. Na dúvida, deixe claro sua falta de conhecimento sobre o tema e se coloque disponível para aprender. Isso que dizer que será preciso escutar o que o outro tem a dizer.

Você não precisa ser psicólogo, terapeuta, profissional de saúde, etc… apenas se colocar disponível para aprender com a experiência do outro. Esse talvez seja o grande presente que eu recebo diariamente quando atendo meus clientes.

Por mais que eu estude, por mais que eu tenha cuidado e responsabilidade com a minha fala, pode ser que em algum momento eu deslize. Imediatamente eu me desculpo, calo e – com os ouvidos atentos – eu aprendo ouvindo quem está diante de mim.

Nesse momento, não importa com quantas pessoas você já transou ou se sequer deu um beijo na boca. Quando se fala de sexualidade, um portal de infinitas possibilidades se abre diante de nós. Um portal onde nada é óbvio, não existe certo e errado ou tantas outras dicotomias.

O grande segredo dessa caminhada é encontrar aquilo que faz sentido para cada um de nós. Se não sozinho, com auxílio profissional porque – via de regra – a vida foi feita para proporcionar prazer, seja ele qual for. Pode ser através do sexo, mas pode ser um banho de mar, um abraço gostoso em uma pessoa especial, um café da manhã preparado com carinho, uma viagem dos sonhos, não importa.

O convite que quero deixar pra você hoje é: encontre o(s) seu(s) prazeres.

O que deixa sua vida mais doce?

Estamos inseridos em uma sociedade altamente sexual! Se por um lado percebemos um contexto mais informativo e acessível no que diz respeito a essa temática, por outro as crianças têm acesso cada vez mais cedo conteúdos adultos.

*Satta é terapeuta tântrica

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