Gil Santos

Esse ano não tem trios elétricos, desfile de travestis, transexuais , drags queens e performers com figurinos festivos  na avenida; nem grupos defendendo o direito ao amor e ao respeito, mas a Parada LGBTQIA+ de Salvador 2020 vai acontecer e já tem data marcada. Por conta da pandemia, o evento será totalmente virtual, mas nem por isso menos importante. O tema é o ‘Racismo na comunidade LGBTQIA+’, e o encontro ocorrerá no dia 5 de dezembro, às 18h, pelas redes sociais do CORREIO (@correio24horas) e do Me Salte (@me_salte).

A intenção da Parada LGBTQIA+ deste ano é ir além das discussões isoladas sobre racismo e lgbtfobia, juntando os dois temas e abordando o racismo praticado contra pessoas que já são oprimidas pela sexualidade. O responsável pelos projetos digitais do CORREIO e editor do blog Me Salte, além de curador do evento, Jorge Gauthier, contou que essa violência é queixa recorrente dentro da comunidade e que o debate será realizado por militantes de todas as gerações.

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“A ideia é por meio desse programa provocar a reflexão e trazer uma inovação para a Parada. Isso é algo que há muito tempo vinha sendo pedido pelo movimento, que a Parada tivesse uma nova identidade, um novo conceito, e por conta disso as mesas foram montadas a partir de um novo olhar”, afirmou.

Serão duas horas de programa e três mesas de debate (Confira a programação abaixo). Elas serão intercaladas por cinco performances de artistas e depoimentos gravados de pessoas que vivem os desafios da sexualidade e da negritude no dia a dia. 

Hiran será uma das atrações (Foto: Fernando Young)

As performances serão da atriz, educadora e pesquisadora sobre raça, sexualidade e gênero, Matheuzza; da apresentadora, transformista e realizadora de concursos de beleza, Bagageryer Spilberg; das cantoras Doralyce e Josyara; e do rapper Hiran, uma das maiores representações do rap nacional.

A direção e o roteiro do evento ficaram sob a responsabilidade de Dayse Porto, que destacou a necessidade de aprofundar algumas discussões. “O tema das identidades raciais, da interseccionalidade, da questão racial e da questão LGBTQIA+ é muito urgente. Existem duas vertentes, o preconceito que esses grupos sofrem na sociedade como um todo e os racismos praticados dentro da própria comunidade. Esse debate precisa ser construído e conscientizado em função de uma solidariedade e empatia para que a comunidade seja efetivamente uma comunidade, ou seja, que se fortaleça para todos e todas” disse.

Bagageryer Spielberg também fará performance (Foto: Divulgação)

Visibilidade 
Quem já foi vítima de preconceito e discriminação sabe os efeitos que isso causa na autoestima e no bem-estar, por isso, especialistas defendem que essas questões precisam ser visibilizadas. O CORREIO é o veículo oficial de transmissão da Parada LGBTQIA+ de Salvador 2020. A editora-chefe do jornal, Linda Bezerra, conta que a diversidade é uma marca do veículo.  

“O CORREIO é um jornal de muitas vozes, de todas as vozes. Então, é muito espontâneo que a gente faça a Parada da Diversidade, porque a diversidade é de fato uma bandeira nossa. A gente percebe isso pela nossa redação, que é muito diversa, o nosso leitor é diverso e, portanto, nosso conteúdo é diverso”.

Em 18 anos essa será a primeira vez em que a Parada acontecerá de forma virtual. O presidente do Grupo Gay da Bahia (GGB), entidade que realiza o evento, Marcelo Cerqueira, revela que o adiamento para dezembro aconteceu em virtude da pandemia. Ele também frisou a importância do debate.

“As paradas são espaços importantes de múltiplas vozes. Através das plataformas digitais, pretendemos dar visibilidade a diferentes sujeitos da luta LGBTQIA+, constituindo um espaço de escuta de suas questões”,  afirma o presidente do GGB.

Ismael Carvalho participa de mesa com Alan Costa (Foto: Divulgação)

A produtora cultural diretora da Maré Produções, Fernanda Bezerra, responsável pela produção do evento, destacou a importância de debater o tema e comemorou a primeira edição virtual da Parada: “Devido a pandemia da covid-19 e a impossibilidade de ocuparmos as ruas, como aconteceu no último ano, a Parada do Orgulho LGBTQIA+ da Bahia, uma das mais antigas do Brasil, pela primeira vez ocupará o espaço virtual. O mais importante é não deixarmos de realizar o projeto, para que, em 2021, ele chegue com mais força na sua celebração de 20 anos”, contou.

Debate 
Uma das mesas vai debater as atividades de trabalho de transexuais e travestis negras e terá a participação de Érika Hilton (Psol), primeira vereadora trans e negra eleita de São Paulo e a mulher mais votada da cidade, com 50.508 votos. Inaê Leoni também vai participar da discussão. Ela se identifica como mulher trans e travesti. Licenciada em Teatro pela UFBA, resume a ideia do encontro: 

“O sentido dessa mesa é através de fatos, de histórias reais, ratificar que pessoas trans e travestis são tão qualificadas e tão possíveis de se qualificar quanto qualquer outra pessoa. Não desmerecendo nem diminuindo o senso comum, do local da prostituição, que é um campo legítimo, mas colocando que essa não é a única possibilidade de trabalho para essas pessoas”, disse.

Inaê Leoni estará em debate com Érika Hilton (Foto: Divugalção)

Já a travesti e atriz Matheuzza está preparando uma performance especial para o encontro. Ela destaca que o Brasil ainda é considerado o país que mais mata pessoas trans e travestis no mundo, e que são importantes espaços para debater as questões que envolvem a comunidade e para propor soluções eficazes para os problemas.

“O colonialismo no Brasil levou a questões de desigualdade social, violência, falta de recursos, e infraestrutura precária que atingem diretamente a população negra por conta do racismo, esse projeto que perpetua esse lugar da pobreza e inferioridade social para o povo negro. Então ter uma Parada LGBTQIA+ em um momento como esse, em que não podemos ir à rua, ter essa possibilidade de criar outro canal de diálogo e discussão e manter viva a ideia e a chama da Parada é muito importante”, contou.

Já para a pedagoga Jandira Mawusí, a relevância do evento está também em dar visibilidade para pessoas que normalmente são ignoradas pela sociedade. Ela vai participar da mesa ‘Mulheres negras, lésbicas e masculinizadas’, e defende a necessidade de debater essas questões em sala de aula.

“A gente tem uma ausência dessas imagens, dessas representações nos espaços sociais e, principalmente, nos espaços de poder, políticos. Vimos isso agora na campanha eleitoral, onde os partidos não entendem a necessidade de ter representações no Legislativo, e a sociedade também não. A comunidade não entende, não respeita, invisibiliza, machuca, violenta. Então, discutir a situação da mulher negra, da mulher sapatão, da mulher masculinizada, é discutir sobre vidas possíveis”, afirmou.

O projeto Diversidade tem realização do GGB, produção da Maré e parceria e criação de conteúdo CORREIO/Me Salte e Movida; e patrocínio do Big e Goethe Institut.

Jandira Mawusí estará em mesa com Bruna Bastos (Foto: Divulgação)

PROGRAMAÇÃO COMPLETA:

Debates:

*Mesa 01 – Bichas pretas e afeminadas 
Alan Costa – Formado em Letras Vernáculas pela UNEB, atua como produtor cultural e artístico na cena soteropolitana.
Ismael Carvalho – Criador de conteúdo digital, cofundador e diretor de criação da Preta Agência de Comunicação.

*Mesa 02 – Negras, lésbicas e masculinizadas 
Jandira Mawusí – Pedagoga pela UNEB, idealizadora do Coletivo Merê, é uma das representantes da Caminhada Contra o Ódio e o Racismo Religioso que acontece há mais de 15 anos em Salvador.
Bruna Bastos – Integrante do grupo de pesquisas Rasuras UFBA, pesquisa e estuda Letramentos de Reexistência produzidos por lésbicas negras. É idealizadora da página @sapatonaaentendida onde dialoga sobre lesbianidade e Afroperspectiva.

*Mesa 03 – Transexuais e travestis negras não trabalham apenas em salão 
ÉriKa Hilton – Primeira vereadora trans e negra eleita de São Paulo. A mulher mais votada da cidade com 50.508 votos, pelo Psol.
Inaê Leoni –  Mulher trans, negra, baiana de Salvador.  Licenciada em Teatro da UFBa, em 2010, começou a estudar canto de modo sistemático.

*Performances artistíticas:

Matheuzza (atriz, educadora e pesquisadora nas questões de raça, sexualidade e gênero); Bagageryer Spilberg (apresentadora, transformista e realizadora de concursos de beleza); as cantoras Doralyce e Josyara; e o rapper Hiran, uma das maiores identidades do rap nacional.

*Glossário LGBTQIA+

Lésbicas –   Mulheres que sentem atração afetiva/sexual por outras mulheres; 
Gays –   Homens que sentem atração afetiva/sexual por  outros homens; 
Bissexuais –   Pessoas que sentem atração afetivo/sexual por homens e mulheres; 
Travestis, Transexuais e Transgêneros –  Não se relaciona com a orientação sexual, mas   identidade de gênero. Corresponde às pessoas que não se identificam com o gênero atribuído em seu nascimento; 
Queer – Pessoas que não se identificam com os padrões cis e heteronormativos;
Intersexo –  Pessoas cujas combinações biológicas e desenvolvimento corporal – cromossomos, genitais, hormônios, etc. – não se enquadram na norma binária (masculino ou feminino); 
Assexuais – Pessoas que não sentem atração sexual por outras pessoas;
Interseccionalidade –   Estudo da sobreposição ou intersecção de identidades sociais e sistemas relacionados de opressão, dominação ou discriminação;
Cisgênero – Pessoas que se identificam com o gênero atribuído em seu nascimento;

*Fonte da pesquisa: Educa Mais Brasil

27 de novembro de 2020

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