O Brasil chegou ao Dia Internacional de Combate à Homofobia, Transfobia e Bifobia com 111 mortes violentas de pessoas LGBT+ registradas entre 1º de janeiro e 12 de maio de 2026, uma a cada 36 horas. Os dados são do Observatório de Mortes Violentas de LGBT+ do Grupo Gay da Bahia (GGB). Se o ritmo se mantiver, o país pode encerrar o ano com mais de 300 mortes, conservando o posto de nação que mais mata LGBT+ no mundo.
A maioria das vítimas são homens gays (67 casos, 60%), seguidos por mulheres trans (25, 23%) e lésbicas (12, 11%). A sobrerrepresentação de mulheres trans é alarmante: elas correspondem a menos de 1% da população geral, mas figuram em quase 1 a cada 4 mortes registradas.
Arma de fogo e arma branca lideram as causas, mas métodos como estrangulamento, espancamento, esquartejamento e carbonização indicam violência de ódio que vai além do impulso individual. Quarenta por cento das mortes ocorreram dentro de casa, frequentemente praticadas por parceiros, ex-companheiros ou familiares.
Dos 111 casos, 17 foram suicídios, cerca de 15% do total. Para o GGB, esses casos integram o mapeamento como violência estrutural: sem agressor identificado, mas com rejeição familiar, abandono escolar e omissão do Estado como causas subjacentes.
O Nordeste concentra 42% das mortes (47 casos). São Paulo lidera por estado (18), seguido por Bahia (12) e Alagoas (9). A vítima mais jovem tinha 17 anos; a mais velha, 81. Um terço das vítimas tinha menos de 30 anos.
A criminalização da homofobia, obtida judicialmente em 2019, não reverteu o quadro. Faltam investigação especializada, registro padronizado nos boletins de ocorrência e formação para profissionais de segurança, saúde e educação. Assim, “Uma morte a cada 36 horas não é fatalidade, é falha de política pública”, afirma o Prof. Dr. Luiz Mott, coordenador do Observatório de Mortes Violentas do Grupo Gay da Bahia.
Dados do Observatório de Mortes Violentas de LGBT+ do GGB, base preliminar de 1º/01 a 12/05/2026.