Sobre(nomes)

Sobre(nomes)

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Hoje não vai ter resumão da semana porque eu gostaria de falar sobre nomes. Sobrenomes, na verdade (com o perdão do trocadilho sem graça rs). Meu amigo e também futuro Gabriel Amorim já escreveu sobre isso aqui. Mas eu preciso falar novamente. Não é mimimi. É representatividade de nome (talvez representatividade nominal?! – inventei essa expressão agora). E acho que jornalista entende muito bem disso. A assinatura é a nossa “marca”.

Me chamo Marina Aragão Silva. Eu não sei vocês, mas tenho muito apego ao meu nome… a uma parte dele, para ser mais específica. Primeiro, eu amo “Marina”, porque foi minha avó quem me deu esse nome (e vós são vós, né? Seres que não se explicam). Essa Marina que vos fala já existia na cabeça dela desde a época em que mainha era criança. Marina é uma parte do nome da minha mãe, inclusive, que se chama Marinalva.

Segundo, Aragão é o sobrenome da minha família materna – a família com a qual eu cresci e virei gente. Tenho muito orgulho dela e desse sobrenome. Já o Silva não me representa (por vários motivos que eu não vou citar aqui). As pessoas brincam comigo por ser “Marina Silva”, ter nome de gente famosa – vide a política filiada à Rede Sustentabilidade. Eu não ligo, brinco também, mas isso não passa de uma resenha. O problema se concretiza quando esse nome é registrado e vira identificação profissional.

Aqui no CORREIO, meu e-mail é “marina.silva@redebahia.com.br”. Já achei estranho, mas me convenci de que é padrão institucional o e-mail consistir em “nome + último sobrenome”. No entanto, descobri depois que há algumas exceções. Enfim… deixei passar. A segunda problemática é que já existe uma Marina Silva na redação – a repórter fotográfica. Já começaram a falar: “outra Marina Silva no jornal?”. Eu dou uma risadinha amarela para não ser desagradável, mas, sinceramente, me incomodo porque não me reconheço como tal e por não querer que essa assinatura viralize.

Colocar o “Silva” ao lado do meu nome é a mesma coisa de me interpelar com “Marina Marcinkiewicz (esse é um sobrenome polonês que eu achei no Wikipédia para demonstrar estranheza rs)”. O “Silva” não me representa. Não fala sobre Marina. Não diz quem sou eu.

Até aí tudo (mais ou menos) bem. No entanto, produzi algumas matérias e notinhas durante a semana e uma determinada notícia saiu no jornal impresso com (pasmem!) “Marina Silva” – mesmo depois de eu já ter pontuado que assino com “Marina Aragão”. Pensem numa pessoa que ficou chateadíssima… fui eu!

Texto no jornal impresso com a assinatura "Marina Silva"

Texto no jornal impresso com a assinatura “Marina Silva”

Como Amorim havia nomeado em seu texto, o meu cartão de visita NÃO era o MEU cartão de visita. Era de uma Marina que eu não conheço. Pois agora estou mais atenta do que nunca com isso. Sempre assino com “Marina Aragão” os e-mails enviados aos editores que irão corrigir e colocar minhas matérias no impresso ou no site. E quando consigo, procuro frisar verbalmente o modo como assino.

Mas parece que às vezes não adianta muito, vide a imagem acima. “Marina Silva” é péssimo, porém ainda faz parte. O pior foi quando inventaram um nome para mim, em o que o meu “Aragão” havia simplesmente SUMIDO! Vocês conhecem “Marina Silva Santos”? Devem existir várias, né? Mas integrante da 13ª turma do Correio de Futuro eu garanto que não há. Prontamente fui ao sistema e mudei por conta própria, tamanha era/é a minha indignação. Qual é o nome disso? Desatenção? Não sei… Mas se vocês ainda tão achando que é mentira, eis o print da matéria:

 

Print da matéria com um nome inventado para mim

Print da matéria com um nome inventado para mim

Quebrando o tabu – Para além de tudo isso, me indigno com certas tradições. Não sei quem inventou esse padrão de que a pessoa deve ser chamada pelo nome + o último sobrenome. Me parece algo bem machista, uma vez que o sobrenome derradeiro em geral vem da família do pai. Gostaria de dizer para essa tradição que vou ser chamada do jeito que eu quiser, ora! O meu “Aragão” é sagrado e ninguém trisca!