O rei da gaiatice

O rei da gaiatice

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Tente encontrar alguém mais engraçado na turma e falhe miseravelmente. No maior estilo ousadia e alegria, Gabriel Moura é puro bom humor, malemolência e marotice. Fala muito (sempre gesticulando), elabora trocadilhos a todo instante, tem as melhores e mais assustadoras piadinhas e também se comunica muitíssimo bem através de memes e figurinhas de WhatsApp.

Antes de se descobrir jornalista, frequentou por três semestres o curso de Economia, algo improvável de pensar quando você conhece a figura. Números o incomodam – da idade alcançada no último aniversário, que prefere chamar de XY anos para não ter que revelar, até o peso que a balança marca quando está sobre ela.

Apesar do claro descompasso entre sua personalidade e sua primeira escolha profissional, se tem algo que provavelmente aprendeu enquanto estudava as ciências econômicas foi a fazer negociações. Todos os dias, alicia os colegas de trabalho a fim de conseguir um dinheirinho a mais para as refeições, o que, inclusive, lhe rendeu o título de interesseiro. Durante a argumentação, usa tom de voz fofinho, simula choro e faz cara de cachorro abandonado. Tudo por uma sobremesa.

Falando em comida, este é um assunto que ele domina. Ama cheddar e faz questão de explicitar esse apreço sempre que possível. Em todas as oportunidades que tem, enaltece o queijo de sabor duvidoso. Gabriel também não perde a chance de apreciar batatinhas rústicas, mentos e um cafézinho – coisa que aprendeu a degustar durante a estadia na Rede Bahia. Em meados do programa Correio de Futuro, inventou que estava fazendo um regime para emagrecer.

No cardápio da sua dieta fajuta, não podem faltar paletas mexicanas de morango e chocolate belga. Para o primeiro, a justificativa é simples: é de fruta, portanto, saudável. O outro exige um pouco mais de audácia para fundamentar a explicação. Você conhece algum belga acima do peso? Pois bem. Ele também não – e é nessa observação que se apóia para justificar as calorias conseguidas com o capricho gastronômico. A decisão pela alimentação saudável só se materializa na folha de alface única que repousa sobre o canto do prato na hora do almoço e não é ingerida sem que antes ele faça ecoar um muxoxo digno de uma criança de 5 anos.

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Segundo a avaliação de Moura, torta de frango e enroladinhos de salsicha são para “proteína e sustança”, bolo de chocolate é para dar cor. O refri, ele ainda não sabe como justificar | Foto: Reprodução

Engraçado que o lado infantil de Gabriel contrasta com a face mais madura, que se expressa sutil quando ele aponta traços típicos da vida adulta: a insatisfação com um trabalho feito, a informação equivocada dada sob sua responsabilidade e o peso que isso representa para a consciência dele, os defeitos que possui ou quando deixa escapar inseguranças.

Poucas coisas o tiram do sério. Uma delas é o problema da lateral esquerda do Santos (óbvio!), seu time de coração. Outro exemplo é quando não compram sua ideia. Como gênio incompreendido, fica arrasado. Em três meses, só deixou transparecer tristeza uma vez, exatamente quando recebeu críticas sobre a pauta que estava apurando. Ficou tão profundamente abalado que nem os elogios por estar mais magro resgataram sua alegria.

Não dá para falar do aspirante a jornalista esportivo sem pontuar seu talento mui particular para escrever, especialmente e-mails diferentões, porque com ele não rola isso de formalidade. Moura é avesso ao comum. Na batalha de temas, momento em que todos estavam desesperados em fazer caber em cinco minutos a apresentação de um projeto inteiro, ele estava mesmo preocupado em criar um formato próprio com a criatividade que lhe é peculiar. As insônias são o período mais propício para aguçar suas ideias inesperadas.

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Tutorial de como enviar um e-mail corretamente com o Rei Da Gaiatice

Fã de futebol, orgulha-se de saber cantar o hino da Champions, apesar de nunca termos presenciado tal performance. Nas horas vagas, assume personagens, como Marcos, que adora dar corda para bêbados expressarem seus delírios nas mesas de bar. Igual a todos os boys tirados a homão, gosta de uma breja gelada, mas é um hétero topzeira meia boca: jamais iria a um show de Wesley Safadão e não gosta de carnaval.

Gabriel parece nunca se dedicar ao ócio. Inquieto e agitado, no tempo livre (às vezes nem tão livre assim…) se aventura em investigar os temas mais diversos e inimagináveis. A origem dos nomes das pessoas e a frequência deles na população, a surpreendente quantidade de mulheres no Parlamento de Ruanda, o fato de haver mais libaneses no Brasil do que no próprio Líbano (?). A lista é vastíssima…

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As informações exclusivas são enviadas também nos grupos de zap (apelido carinhoso para Whatsapp) | Foto: Reprodução

Ele não é de constrangimentos: pergunta o imperguntável e sonha com o impraticável. Em sua lista de desejos estão coisas como o retorno da banda Oasis, da qual é adorador confesso, e um affair com a atriz e modelo Evanna Lynch. No ranking Mourão de beleza, Lynch, intérprete de Luna Lovegood na saga Harry Potter, ocupa o topo da lista de mais gatas. Não me julgue por este adjetivo. A classificação é dele. “Ela é gatinha”, constata toda vez que alguma cremosa está dentro dos seus critérios de boniteza.

Sofre de um mal conhecido por preguiça, o que me faz questionar se estas linhas serão lidas por ele. Mas também é curioso nato e talvez isso o faça enfrentar a moleza. Ele sempre tem um “você sabia…?” na ponta da língua e não consegue esconder a satisfação cada vez que conta algo novo para o interlocutor. A relação com a curiosidade é tanta que às vezes o faz perder o controle, tomando a liberdade de acessar computadores alheios sem permissão, para depois se arrepender e ter que pedir desculpas (o bonitão fez isso comigo e não podia perder a chance de lembrar desse vacilo).

Ele não se abala com os tópicos mais delicados da vida, o que já nos fez questionar se do lado esquerdo do peito dele mora mesmo ou só jaz um coração. Por outro lado, se emociona com o improvável. Acredito – e aqui é pura especulação – que se trata de um daqueles casos em que a pessoa é tão intensa no que sente que precisa criar muralhas para se defender.

No fim das contas, é o bom humor que sempre prevalece. O rei da gaiatice tem gracinhas para assuntos sérios, para assuntos não sérios e quaisquer outros tipos de temas que a sua imaginação conseguir alcançar. Me despeço com a frase que ele ama tanto que, num ato falho, largou para uma fonte durante um telefonema: Valeu, vei, é nois!