Por Mário Bittencourt (mario.bittencourt@redebahia.com.br)
As causas do assassinato da travesti Raphaela Souza, 32, morta com três tiros na cabeça, na noite de quarta-feira (14), em Vitória da Conquista, sudoeste baiano, só começaram a ser investigadas pela polícia nesta sexta-feira (16).
Segundo pessoas próximas, a vítima do crime era usuária de drogas, mas a polícia não confirmou se este fato tem relação com o homicídio, ocorrido num conjunto habitacional no bairro Miro Cairo, dominado por traficantes.
Até o final da manhã desta sexta-feira, ainda não havia indícios de autoria ou motivação do crime. Devido ao feriadão, a polícia trabalha com equipe reduzida informou que só deve aprofundar as investigações na segunda-feira (19).
Raphaela era articuladora das causas LGBTs e coordenadora do Coletivo Finas, de travestis e transexuais. Trabalhou na Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (Semdes), onde dava aulas de cabeleireira à beneficiárias do Bolsa Família.
O crime chama a atenção também pelo fato de ser o segundo homicídio de travesti em uma semana em Vitória da Conquista, onde na noite do dia 7 foi morta com um tiro na cabeça a travesti Elisângela.
A vítima estava com uma colega também travesti chamada Duda, quando foi abordada na Avenida Integração (trecho urbano da BR-116) por dois homens em um veículo não identificado para fazerem um programa.
Ao chegarem na região do Anel Viário, um dos homens, que a polícia informou já ter identificado, atirou em Elisângela, enquanto o outro filmava, tendo Duda conseguido fugir no meio da confusão.
“Até o momento, não vimos relação de um crime com o outro”, disse o delegado Marcus Vinicius de Morais de Oliveira, responsável pelas investigações dos crimes.
A Coordenação Municipal de Políticas de Promoção da Cidadania e Direitos de LGBT DE Vitória da Conquista informou que vai acompanhar as investigações e que lamenta profundamente as mortes de Raphaela Souza e de Elisângela.
“Raphaela era uma das principais militantes das causas LGBT em Vitória da Conquista e, atualmente, coordenava o Grupo Social Coletivo Finas de Travestis e Transexuais. a coordenação está acompanhando os dois casos e acredita no trabalho sério e competente da Polícia para esclarecer os crimes”, afirmou.