Sistema bruto

Sistema bruto

meme_capa

Pauta. Google. Pesquisas. Dúvidas. Direcionamentos. Fontes. Perguntas. Números. Assessorias. Ligações. Caixa Postal. “Tente novamente mais tarde”. Espera. Telefona. Marca. Desmarca. Remarca. Entrevista. Olha dados. Desvenda tabelas. “O que isso quer dizer?”. Mais dúvidas. Outras entrevistas. Novos direcionamentos e fontes e perguntas. Informações – muitas delas.

Apuração é assim: loucura, vaivém e uma série de questões a serem resolvidas. O passar das horas dá ritmos ora apressados demais, outras vezes mais lento do que gostaríamos. Durante uma entrevista, por exemplo, os ponteiros do relógio parecem atropelar uns aos outros de tão rápido que avançam. Mas, quando se está aguardando o retorno de alguma assessoria de comunicação para um posicionamento muito importante, esses mesmos marcadores parecem arrastar-se.

Pura pirraça do tempo (sempre ele…). Essa coisa que tanto nos esforçamos para controlar, calcular, registrar, mas, no fim das contas, vemos é debochar bem nos nossos olhos a cada vez que consegue escapar das tentativas de regulá-lo. Apesar disso, planejamento é fundamental para não ser engolido durante a fase de apurar os fatos.

Foto: Repodução

Foto: Reprodução

Superados os desafios intrínsecos a esse processo, é hora de encarar a avalanche de informações, selecionando dentro de todo o universo recém descoberto aquilo que se destaca, não pode deixar de ser dito e contextualiza o que será discutido na matéria. Para quem ainda lida com um vilão chamado inexperiência, é delicado decidir sobre o que entra e o que sai no produto final. Delicadíssimo, eu diria. Há uma limitação espacial no jornal impresso que exige sutileza e objetividade na escolha das palavras a ocupar os preciosos e restritos caracteres. O desafio é conciliar a quantidade de letrinhas com a qualidade da notícia.

Depois, entram em cena outros dois “chefões” do jornalismo: a hierarquização e a nomeação. O primeiro se trata do encadeamento do que foi colhido por ordem de importância – daquilo que é imprescindível para o menos relevante. O outro diz respeito ao jeito usado para dizer algo, o que pode, definitivamente, explicar com precisão um assunto, bem como é capaz de deturpá-lo, amplificá-lo ou modificá-lo.

Nas últimas semanas, estivemos totalmente concentrados em dar conta das pautas que farão parte do nosso especial de fim de estágio. Estamos vivendo bem de perto a dor e a delícia de andar com as próprias pernas. Comemorando todas as vitórias, por menores que sejam, e compartilhando as frustrações: a fonte que some ou não quer dar entrevista, o texto que não quer fluir, o plano que saiu dos eixos….

Para quem está começando, cada uma dessas etapas é árdua. No entanto, técnicas ajudam a facilitar esse ciclo e a experiência certamente faz dele mais intuitivo e leve. Alguns meses vivendo a rotina produtiva de um jornal diário com mentores para orientar e dá para sentir a diferença. Antes de se iludir achando que acabou, só um lembrete: já parou para pensar em como  ilustrar e diagramar tudo isso, coisinho(a)? Como brincamos por aqui: “Vista sua roupa de sapo e dê seus pulos”. O sistema é bruto.