64 perguntas para…nada?

64 perguntas para…nada?

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Não sei se já deu para reparar nos textos que eu escrevi, mas mesmo em experiências que frustraram eu sinto que elas valeram a pena e tiveram um saldo positivo no fim das contas, e algo de bom eu pude tirar dali. É assim que eu estou levando essa experiência no CORREIO, por ser o primeiro desafio profissional da minha vida, e acho que é assim que levo minha vida de uma forma geral. Hoje teremos mais um relato nessa direção.

Na semana do dia 7 (segunda-feira) foi a última semana de imersão nas editorias do jornal, e a partir da semana seguinte passamos a nos dedicar ao nosso produto final. Era a semana para fechar as editorias que não havíamos passado ainda e fechar esse ciclo dentro de nossa experiência no Correio de Futuro. Dessa forma, tive minha vivência no caderno Bazar, que sai aos domingos no jornal.

É uma editoria diferente das outras. Primeiro porque não se trata de um conteúdo diário, e sim semanal. Segundo porque é a única editoria que tínhamos que passar necessariamente dois dias nela. E dessa forma passei. Recebi do subeditor Victor Villarpando duas pautas para fazer. Uma sobre notebooks, na qual tive que entender o funcionamento da máquina, quais peças formavam um notebook, para quê servia cada uma e qual o melhor computador para cada tipo de usuário, seja um usuário comum, designer, editor de vídeos, entre outros.

Mas vamos à outra pauta. Tinha a missão de entrevistar a nutricionista Neide Rigo, que é conhecida por trabalhar com PANCs (Plantas Alimentícias Não Convencionais) e pregar um modo de vida mais saudável e lutar contra os problemas da indústria alimentícia. Victor me passou a pauta e me pediu 40 perguntas para a entrevista.

Não nego que fiquei assustado. Não seria capaz de fazer 40 perguntas. De onde eu tiraria assunto para fazer tanta pergunta? Aos poucos, botei a cabeça no lugar e comecei a pesquisar os assuntos de interesse para entrevista. Procurei sobre a vida dela, entrevistas dadas por ela e possíveis perguntas a partir de respostas dela, “stalkeei” no Instagram e procurei entender o que eram as tais PANCs. E não é que eu consegui fazer as perguntas? Mandei 43 perguntas para Victor, recebi o feedback e construí mais 21 perguntas, totalizando 64. Só faltava fazer a entrevista.

E aí que a frustração veio. Durante esse processo das perguntas, estava tentando o contato com Neide, para que pudéssemos realizar a entrevista. Sem achar o número dela, mandei email, comentei nas fotos do Instagram, mandei direct e nada de resposta. Victor conseguiu o número de uma pessoa do Estadão, onde ela escreve uma coluna, e recebi apenas o contato via email, o qual eu já tinha. Terminei minha estadia no Bazar sem a entrevista com Neide Rigo. (Em tempo: ela me respondeu e deu o número dela, mas depois de sugerir um dia para marcarmos ela voltou a não responder, até o momento de postagem deste texto).

Respondendo a pergunta do título, será que posso dizer que fiz 64 perguntas para nada, já que a entrevista não aconteceu?

A resposta é definitivamente não. Eu me assustei em fazer 40 e consegui fazer 64. Me subestimei para depois me desafiar e acreditar em mim para chegar ao objetivo. Isso me marcou e já me tornou uma pessoa mais confiante, e que entende que se você quer fazer algo, você é capaz. Basta acreditar em si mesmo.