Surpresas

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Kannário supreendendo no Festivla da Virada (Arisson Marinho / CORREIO)

Kannário supreendendo no Festivla da Virada (Arisson Marinho / CORREIO)

O destino gosta de aprontar das suas, o que pode ser bom ou ruim. No final de 2018, podia reclamar de tudo, menos de ter vivido muitas emoções, e com elas várias surpresas. Como folguei no Natal, fui escalado para trabalhar no plantão durante o ano novo e cobrir o Festival da Virada Salvador, na Boca do Rio, durante três dias seguidos.

A missão dos futuros era bem clara: pegar histórias de bons personagens para serem publicadas no tempo real do site e também auxiliar o repórter para fazer as matérias principais, que iam sair no impresso. No primeiro de minha cobertura, no sábado (29), predominou o clima romântico, com bandas sertanejas.
Uma das atrações era a dupla Zezé Di Camargo e Luciano e lembrei que conhecia um grande fã deles aqui em Salvador. Consegui falar com ele, marcamos para nos encontrar durante o show. Durante a apresentação, ele levou um cartaz em homenagem as filhas de Luciano, que vinham pela primeira vez a Salvador. O cantor viu, pegou o cartaz e ainda o chamou para o camarim. Não pude acompanhar, uma pena, mas depois consegui reencontra-lo e ter uma boa história. Além disso, entrevistei pessoas na fila da roda gigante, fui ao posto médico e na Vila Gastronômica encontrei Duda, o vocalista da banda Diamba, do qual admiro muito. Acabou sendo um personagem para o tempo real. Coisas que o jornalismo proporciona.
Se o primeiro dia de evento foi de muita correria, mas de tranquilidade, o segundo foi o inverso. As primeiras atrações do domingo (30), eram Igor Kannário seguido da banda La Fúria, conhecidos por levarem uma multidão aos seus shows. Esse não fugiu à regra. Logo cedo, a Arena Daniela Mercury, onde acontecia as apresentações, estava lotada com jovens, adultos, crianças e idosos também, como dona Maria Joana, de 78 anos, que chegou até a subir no palco para dançar com a La Fúria.
As atrações começaram e a primeira surpresa do dia foi ver um piano de cauda sendo tocado no show de Kannário e o cantor abrindo com Força Estranha, música de Caetano Veloso. O clima mais ameno das novas composições do agora deputado estadual deram o tom da apresentação, o que não agradou a todos. Mas claro que a quebradeira compareceu e agitou a galera.
Depois o clima ficou tenso. Primeiro porque o repórter que eu acompanhava passou mal e teve que ir ao posto médico pra ser atendido. Mas o pior ainda estava por vir. Logo no início do show da La Fúria, uma briga generalizada tomou conta da Arena. Primeiro latinhas foram arremessadas para todos os lados, uma quase me atingindo inclusive. Logo após, surge um cara no meio da multidão dando golpes de facão em quem aparecia em sua frente. Resultado: cinco pessoas ficaram feridas, mas por sorte, nenhuma gravemente. Isso tudo bem perto de mim. Apesar dos acontecimentos, a equipe fez uma excelente cobertura.
No terceiro dia predominava o branco, afinal era a noite de Réveillon. Na missão de buscar personagens interessantes, conheci uma família que estava acampando na praia e passar a virada por lá mesmo. Fui conversar com eles, e um dos membros também estava comemorando o aniversário. Foi muito divertido entrevistar o pessoal, apesar de ter ficado com o tênis cheio de areia. Peguei mais alguns personagens e encerrei a minha participação.
Nesse dia o trabalho foi mais curto e voltamos mais cedo pra casa.
Cobrir um evento gigantesco como esse é sempre um desafio, mas, sem dúvida, também se torna um privilégio. Desde as idas e vindas na sala de imprensa, improvisação quando algo dá errado, interação com os colegas, enfim, é um aprendizado em tanto. Apesar da frustração inicial de ter trabalhado no ano novo, valeu muito a pena pela cobertura do Festival. Mas se puder escolher, no próximo ano novo quero estar de folga no
Réveillon.