Dois tribunais num dia só?

Dois tribunais num dia só?

Imagem ilustrativa | Foto: Pixabay

Imagem ilustrativa | Foto: Pixabay

A minha semana começou com a melhor editoria da vida: esportes. Estava bem feliz e ansiosa. Principalmente porque já sabia que iria para a coletiva de apresentação do novo técnico do Vitória, Marcelo Chamusca. Mas, por incrível que pareça, digo que foi “normal”. Normal no sentido de eu acompanhar isso com frequência (pela televisão ou internet, claro), tendo em vista que sou fanática pelo esporte. Porém, naquele momento, notei uma grande diferença: eu deveria acompanhar aquela coletiva não com olhos de torcedora, mas com o olhar de uma (quase) jornalista que quer respirar esportes ao longo da carreira.

Espaço da coletiva de imprensa com o novo técnico do Vitória, Marcelo Chamusca

Espaço da coletiva de imprensa com o novo técnico do Vitória, Marcelo Chamusca

Confesso que me senti sufocada quando entrei numa sala relativamente pequena para a quantidade de pessoas, mesas, câmeras, celulares, microfones e os trocentos apetrechos dos jornalistas. No entanto, isso tudo não foi pior do que me ver num ambiente onde só haviam homens e perceber todos os olhares voltados para mim ao entrar pela porta, como se eu fosse uma estranha no ninho. Me senti desconcertada e me culpei por isso porque não deveria ser assim, não é mesmo, sociedade? Eu só esperei alguém vir perguntar o que eu estava fazendo ali, se eu sabia que lugar era aquele e o que ia acontecer naquele evento – o famoso mansplaining, que nos deixa totalmente irritadas e constrangidas. Se tratando de esportes ou temas “masculinos” de um modo geral, homens acham que precisam (e podem) nos explicar alguma coisa. Na verdade, na verdade, nem precisa ser um assunto “de homem” para eles quererem se meter onde não são chamados.

Jornalismo não tem hora

Passei também pelo repórter especial (e põe especial nisso!) – porque ele foi super legal e paciente com a futuro aqui – Alexandre Lyrio. Quando cheguei na redação, para acompanhá-lo a partir das 15h, ele já havia saído. Pensei: “tô lascada”. Fui atrás de Linda e providenciei um táxi às pressas para encontrá-lo na Delegacia do Menor Infrator, lá em Matatu de Brotas. Estávamos numa pauta para saber como andavam os serviços nas delegacias bem no dia em que rolava o movimento dos delegados – eles queriam entregar os cargos em protesto contra a reforma administrativa do governo estadual e uma possível restrição nos salários.

Fomos em algumas delegacias, conversamos com pessoas, ouvimos declarações em off… e, por fim, voltamos ao jornal para batermos o texto. “Batermos” não, né? Porque eu só fiquei olhando e absorvendo as manhas. Em uma delas, entendi que não preciso ter o melhor lide logo de início para continuar o texto. Apenas começo. Escrevo. E o que não estiver bom vai sendo modificado ao longo do processo de escrita. No final, sempre sai algo legal.

Fotografia “sem cerimônia”

Estive também com a repórter fotográfica Marina Silva (finalmente conheci minha xará). Sei quase nada de foto, mas Marina me deu várias dicas legais sobre o que e como é interessante fotografar, a depender da pauta (ou pautas!) do dia.

Estive com ela em dois momentos totalmente diferentes. Na coletiva de divulgação da programação da Festa do Senhor do Bonfim e num protesto de alunos contra o fim do ensino médio num colégio público da Federação. Muito barulho, muito calor, mas muita experiência nova também.

Marina trabalha sem cerimônia ou constrangimentos… vai em qualquer lugar, sobe aqui, sobe ali, em busca do melhor registro ou melhor ângulo. Não tem tempo ruim ou pauta difícil para ela.

Duas bancas num dia só

Vocês devem estar se perguntando o que significa aquele título lá em cima, não é? Esqueci a pirâmide invertida do jornalismo e estou fazendo suspense até agora para contar os acontecimentos mais marcantes da semana.

Lembram do texto passado em que falei sobre a concepção do produto final da nossa turma e que precisaríamos apresentar tudo em cinco minutos? Pois é. Aconteceu na quinta. Falamos para alguns dos jornalistas mais topíssimos do CORREIO e recebemos suas críticas e sugestões (muito construtivas, por sinal!). Confesso que achei que seria pior! rs

Mas vocês ainda devem estar se questionando porque “duas bancas num dia só”… Pois bem. Antes dessa banca no jornal, passei pela banca do meu TCC (e eu nem preciso dizer como estava no início da quinta-feira, 13 de dezembro, pensando em tudo que viria pela frente). Apresentei. Tirei 10. Fiquei feliz demais. Cheguei no CORREIO super animada e deslumbrada (rs!) para contar a novidade… e fui recebida da melhor maneira possível. Meu trabalho final de curso foi sobre o Cartola FC, o fantasy game da Globo. Falei de futebol, de jornalismo esportivo, de game – prova de que tudo isso é coisa de mulher também!

Banca avaliadora do meu TCC. Da esquerda para a direita, André Lemos (meu orientador), eu, Suzana Barbosa (avaliadora) e Daniel Marques (avaliador)

Banca avaliadora do meu TCC. Da esquerda para a direita, André Lemos (meu orientador), eu, Suzana Barbosa (avaliadora) e Daniel Marques (avaliador)

No fim do dia, estava super cansada e desgastada, mas com 10 kg a menos por ter alcançado (relativamente bem, diga-se de passagem) os meus objetivos. O esforço e os desafios são diários, mas, no final, acabam valendo a pena. Sigamos!