O neuropsicólogo Gustavo Siquara explica que uma vida com hábitos saudáveis de alimentação, relações sociais positivas e, principalmente o exercício físico contribuem para que o corpo produza novos neurônios na região do hipocampo, responsável pela memória declarativa.
“Existem fatores de risco: a baixa escolaridade, aquela pessoa que tem um nível de atividade intelectual mais baixo, a falta de exercício físico, alimentação rica em gorduras saturada e o alto consumo do álcool. Isso vai diminuindo a saúde do cérebro como um todo e afeta principalmente a memória”, explica.
Foi o que aconteceu com a aposentada Maria José Pessoa, 62. Alcóolatra em reabilitação e sem beber há mais de dois anos, Mazé, como é conhecida, conta que o alcoolismo prejudicou muito mais que a sua memória. “Aconteceram muitas coisas ruins comigo, principalmente na infância e adolescência. Bebo desde os 12 anos e eu já tinha a predisposição para o alcoolismo. Com a doença eu perdi amigos, dinheiro, saúde, bem estar e a memória”, conta Mazé.
Irreversível
De acordo com a equipe médica que a atende, a aposentada perdeu cerca de 40% da memória e seu caso é irreversível. Ela, por diversas vezes, esquece as palavras na hora de conversar e tem dificuldades de lembrar de compromissos, como ir a consultas. Mazé conta que para lembrar-se, costuma colocar lembretes pela casa e lista de afazeres. “Além de sempre falar comigo e me pedir para lembrar”, brinca Carol Pessoa Filha, 61, irmã de Maria José.
Como no caso de Mazé, na maioria dos casos em que a memória adoece o caso é de difícil recuperação. Com isso, o tratamento acontece no sentido de retardar a progressão da condição. O neurologista e professor da Universidade Federal da Bahia, Antônio Andrade, explica que, diferentemente de funções motoras, as áreas cognitivas, como a memória, são de difícil recuperação.
“Nas funções motoras você tem áreas primárias e secundárias. Por exemplo: se a pessoa tem uma lesão em uma determinada área responsável pela nossa atividade motora, a fisioterapia vai estimular outra região secundária para tratar o paciente. Quando alguém recupera um movimento não é porque a área foi tratada, mas sim que foi “substituída”. Já nas funções cognitivas isso é impossível de ser realizado”, esclarece.
Mesmo assim, alguns exercícios, como palavras cruzadas e sudoku, podem ser feitos para retardar o avanço das doenças que afetam a memória. O neuropsicólogo e professor da Faculdade Bahiana de Medicina Gustavo Siquara explica que o principal a se fazer é adaptar o paciente à nova condição de vida.
“O neuropsicólogo pode dar, por exemplo, orientações para a família no sentido de não mudar móveis da casa porque o ele pode se perder com mais facilidade. Às vezes de colocar lembretes no celular na agenda, pela casa, de onde são os locais em que ficam guardadas determinadas coisas, de como é a rotina dele. Vai também orientar os cuidadores sobre quais são as limitações que aquela pessoa vai ter”, esclarece.
Fotos: Marina Silva/CORREIO