ANDERSON RAMOS
Antes de terminar o ensino médio, Gabriel Tarrão dos Santos tinha um planejamento já traçado para seu futuro. Acreditava que a vocação era para engenheiro, e não pensava em outra coisa. Contava 16 anos quando seu sonho primordial começou a se tornar real: foi aprovado na Universidade Federal da Bahia (Ufba) no curso que tanto desejava. Mas o futuro, sem demora, trouxe surpresas, e uma mudança radical na sua vida profissional também virou realidade: aos 21, Tarrão agora atua na área pedagógica de uma escola em Stella Maris.
“Sempre fui muito bom em Matemática e Física, então botei na cabeça que queria fazer Engenharia Civil. Mas na faculdade comecei a me questionar. Achei que a carga de escolher uma profissão aos 15, 17 anos é pesada demais para ser carregada durante toda vida”, observa.
Experiências como a de Gabriel devem se tornar cada vez mais comuns com a reconfiguração do mercado de trabalho moldada por necessidades que estão surgindo com as inovações tecnológicas impulsionadas por uma nova era, a 4ª Revolução Industrial. A característica camaleônica de adaptação da juventude será um diferencial tanto na hora de escolher a profissão, quanto no sucesso na(s) carreira(s) escolhida(s).
Antes de mudar de área e de ares, Gabriel ainda fez parte da Engetop, empresa júnior da faculdade, onde descobriu sua veia empreendedora. Isso veio quando começou a lidar com gestão e elaboração de projetos. Foi aí que largou de vez a facul e foi fazer parte de uma empresa de produção de eventos. Numa viagem de trabalho, recebeu um convite de seu atual chefe para integrar o time da escola particular Marízia Maior. Hoje, Gabriel voltou a estudar (faz o 6º semestre de Administração) e é gestor de comunidade. Nesta função, tem a prerrogativa de controlar e executar todos os projetos pedagógicos da escola.
Para a orientadora de carreiras Silvia Teles, esse comportamento mais ‘adaptável’ tem sido mais bem assimilado, hoje em dia. “Consigo perceber que os jovens estão mais abertos a mudanças. Antes se tinha a ideia de que ia viver sempre na mesma profissão, mas hoje, também por conta das mudanças do mercado de trabalho, isso vem caindo”, destaca ela, citando um movimento que vem se consolidando desde os anos 1990.
O novo sempre vem
Porém, no processo de escolha, atenção nunca é demais. Já se sabe que o tempo de validade de algumas profissões está próximo de expirar, caso não sejam reformuladas logo. Um estudo do Sindicato das Entidades do Ensino Superior (Semesp), publicado na Mapa do Ensino Superior no Brasil de 2018, aponta que as profissões do futuro estarão diretamente ligadas à tecnologia da informação e uso de dados.
Uma das novas carreiras que pintam com essas mudanças é a de defensor(a) da ética tecnológica, profissional que deverá ter conhecimentos em Comunicação, Filosofia e Direito para exercer a função. Ela surge no contexto da popularização do uso de robôs. Ante isso, será necessário alguém que coloque as máquinas na linha, estabelecendo regras morais e éticas para serem seguidas, intermediando a relação entre humanos e inteligência artificial.
Na área de Saúde e Bem-Estar, por conta da preocupação crescente com alimentação saudável, os ingredientes geneticamente modificados devem ganhar espaço na preferência dos consumidores. O profissional à frente dessa produção será o cientista de alimentos, com domínio em Nutrição, Fisiologia e Genética.
Promissoras
Em outra pesquisa, a empresa de recrutamento online Catho elencou as 14 profissões mais promissoras para 2019. Entre elas está a de agricultor urbano, atividade que Wilson Brandão, 58, conhece bem. Há três anos, inconformado com a situação de um terreno de 11 mil m² que só fazia acumular lixo no bairro da Pituba, decidiu estudar uma forma de reaproveitar o espaço.