Editorial

 

Estou sem tempo. O tempo urge. Vá no seu tempo. O tempo voa. Estamos correndo contra o tempo. É só uma questão de tempo. Poderíamos continuar, por infinitas linhas, chamando atenção para o tempo, uma unidade que surgiu para organizar a vida humana. Somos regidos por ele, pautando a vida pelos horários dos compromissos ou as datas especiais no calendário. São tantas as formas de marcar o tempo, mas seguimos sem perceber como ele nos marca.

Este é, sem dúvida, um tema universal. Para todos, o dia tem 24 horas, cada hora é composta de 60 minutos, partidos eles mesmos em 60 segundos. Mesmo assim, se este produto fosse publicado, por exemplo, em Nova York - a cidade que nunca dorme - cada uma das nossas matérias seria completamente diferente. São as histórias desse lugar e das pessoas de Salvador que costuram o nosso tempo. Afinal, é quase natural pensar tempo e espaço juntos.

Cada uma das reportagens que compõem esse caderno olha para um momento, para alguém que, a sua maneira, se transforma, enquanto a vida segue o seu curso. Vamos contar histórias de pessoas que são, com certeza, sujeitos do tempo.

Como o natural é começar pelo início, encontramos bebês prematuros que, por nascerem antes da hora, não têm tempo a perder e precisam lutar pela vida desde o primeiro instante. Quando crescem, as crianças de hoje, vivem um brincar completamente diferente do que viveram seus pais.

Depois que a infância passa e chega o momento da escolha da profissão, cada um tem seu próprio tempo, e as respostas para a temida pergunta sobre o que se vai fazer para o resto da vida são cada vez mais plurais e individuais. No campo do amor, são diversas as marcas, desde as bodas que comemoram a longevidade, até temidas crises que nos fazem dar um tempo (ou escolher novas companhias que nos façam viver um novo tempo).
 

 
capa editorial
 

 

Crises deixadas de lado, não dá pra ficar parado. Afinal, tempo é dinheiro. Cada vez mais a figura do profissional que compõe quem é cada um perdura por mais anos. É mais criando reminiscências, se percebendo sujeito do mundo. Quando a memória adoece, é como parar no tempo. Se não é possível criar novas lembranças, só resta a saudade daquelas que ainda conseguimos resgatar.

A vida se faz como um álbum de lembranças, e é comum viver como se o tempo fosse infinito. Existem aqueles, no entanto, para quem a certeza do fim se apresenta de forma mais concreta. São pessoas que verdadeiramente sabem que a morte é inevitável. Um encontro marcado que é apenas uma questão de tempo.

É uma passagem transformadora, mudamos assim como mudam as estações. Sem notar, em silêncio, e quando percebemos já não somos mais quem fomos. O tempo nos descobriu. É como contava Mário Lago: “Eu fiz um acordo com o tempo, nem ele me persegue, nem eu fujo dele. Qualquer dia a gente se encontra e, dessa forma, vou vivendo intensamente cada momento.”

O nosso encontro com o tempo, nós te apresentamos a partir daqui. Diz a música que o tempo não para, nós paramos para olhar pra ele.

Boa leitura.

Turma 13

Acima, na foto, Carlos Bahia, Maria Clara Gibson, Gabriel Amorim, Gabriel Moura. Embaixo, Anuska Meirelles, Marina Aragão, Anderson Ramos e Larissa Silva