Um dia que poderia pôr fim à saudade acabou ampliando o sentimento de falta e o desejo por um recomeço. Hoje, os jornalistas de futuro não tiveram uma sala da faculdade ou uma redação à disposição, mas uma imensidão de obras que representam uma história, uma vida. Ao visitar a Arena Fonte Nova lembrei da minha infância e parte da adolescência, período que saía do interior onde morava para a capital, só para assistir aos jogos do Bahia na sua antiga casa.
É verdade que não acompanhei muitos “espetáculos” na Fonte Nova, em virtude da dificuldade de locomoção que tive por morar fora de Salvador. No entanto, ao ver todo o andamento das obras, não pude deixar de sentir falta daquele tempo em que enfrentava quatro horas de estrada para chegar ao estádio e sentir aquela adrenalina diferente. Foi lá, com meu pai, que aprendi a torcer e a xingar o juiz.
Hoje eu entendo melhor as pessoas que choraram ao ver um dos maiores templos do futebol brasileiro ser demolido. Também compreendo agora as pessoas que moram ao redor das obras e não reclamam do barulho das máquinas, que funcionam quase 24h por dia. Todos querem a sua “casa” pronta o mais rápido possível. Todos querem de volta o lugar onde depositavam as suas esperanças, onde esqueciam as mazelas de uma vida sofrida e tinham como único dever o torcer.
É lá (hoje um amontoado de pedras) que estão guardados diversos momentos de alegria de um povo. Vi que os pouco mais dez segundos que levaram para a Fonte Nova ser implodida, nunca fariam com que fossem esquecidos os seus mais de cinquenta anos de conquistas. A história deste monumento jamais seria substituída ou destruída junto com suas antigas muralhas. As pessoas sabem disso e, por isso, esperam. Esperam sabendo que o próximo reencontro será diante de um lugar novo, fisicamente diferente do de tempos outros. Nesse caso, o que os move é a esperança de que mesmo que as paredes sejam outras, a felicidade será a de épocas passadas. Novas paredes, sentimentos antigos.
Vivência na Arena
Como disse anteriormente, dessa vez o “trabalho” dos jornalistas de futuro foi acompanhar o andamento das obras da Arena Fonte Nova. Antes da visita à construção, houve um encontro com o secretário extraordinário para assuntos da Copa (Secopa), Ney Campello.
Durante a conversa, Campello afirmou, dentre outros pontos, que o novo estádio será multiuso – abrigará jogos de futebol, shows, eventos culturais etc -, contará com um projeto luminotécnico inovador, 39 quiosques de alimentação e 94 sanitários. A expectativa é que cerca de 60 mil turistas venham acompanhar o Mundial em Salvador.
Segundo o secretário, embora circundado por bens tombados, por uma área que não possibilita espaços mais amplos, um dos diferenciais da Arena será a acessibilidade. Serão construídos viadutos, passarelas, além de outras intervenções no entorno do estádio.
Com relação à perda da abertura dos jogos de 2014 para São Paulo e o condicionamento da Fifa a respeito da participação de Salvador na Copa das Confederações, Campello afirmou que, em contrapartida, a capital irá abrigar um bom número de jogos – seis no total – sendo que um deles será das oitavas de final e outro das quartas. Para Ney Campello, o ideal seria que a capital baiana realizasse um jogo da Seleção Brasileira – poderá acontecer somente com uma combinação de resultados – mas como isso talvez não seja possível, Salvador vai ganhar muito, em contrapartida, com o fluxo de turistas que virão de todas as partes do mundo acompanhar as suas equipes.
Há ainda uma expectativa para que a Arena abrigue jogos tanto do Bahia, quanto do Vitória. O primeiro já confirmou o mando das partidas no estádio, enquanto que o Leão ainda está avaliando o compromisso de jogar na Fonte.
Por fim, o secretário extraordinário destacou que a Copa será do “legado e do espetáculo”. De acordo com ele, a Arena Fonte Nova trará inúmeros benefícios para a população soteropolitana que irão além de 2014.
O novo estádio deverá ser concluído no final de 2012 e contará com cerca de 50 mil lugares.