O blá blá blá da decupagem

O blá blá blá da decupagem

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Segundo o Wikipédia e outras fontes (porque eu sei que vocês têm preconceito com a primeira rs), decupagem (do francês découpage, derivado do verbo découper, recortar) significa, originalmente, o ato de recortar, ou cortar dando forma. Na indústria, indica um processo de fabricação de peças metálicas por recorte de superfície. Nas artes decorativas, um sistema de colagem de papel e papelão sobre objetos. Em cinema e audiovisual, o planejamento da filmagem, a divisão de uma cena em planos e a previsão de como estes planos vão se ligar uns aos outros através de cortes. No jornalismo, é trabalho de cão (segundo eu mesma rs).

Mentira, amigos… sem desespero. Mas, vamos combinar, ô trabalhinho chato, né?! Nestes últimos dias, uma das minhas principais tarefas foi decupar áudio! Tá pra nascer uma coisa que eu tenha mais preguiça de fazer! É um trabalho ordinário, mas, infelizmente, inevitável. As decupagens estão presentes nas matérias mais simples do dia a dia até os especiais multimídia gigantescos. É inescapável: uma hora ou outra você terá que decupar áudios.

E não venha me dizer que sua memória é de elefante… é impossível decorar tudo. Além disso, você precisa, na medida do possível, escrever as aspas exatamente como a fonte falou. Logo, necessitará escutar a conversa novamente para transcrevê-la. Você também não conseguirá escrever tudo no momento da fala… Então, amigo, mais cedo ou mais tarde irá apelar para o gravador do celular ou qualquer outro trambolho que consiga armazenar áudios.

Toda vez que eu reclamo sobre isso alguém pergunta: “mas como assim não tem alguma ‘tecnologia’ que transcreva o áudio automaticamente no computador?”. Eu também me pergunto, tá?. Dando uma “googlada” (que nome horrível!), vi que existem algumas ferramentas online, mas nada muito eficiente pelo que já testei. Descobri que o próprio Google também tem um mecanismo, mas nunca nem vi. Há ainda algumas tecnologias pagas. Mas não estou disposta, né, mores? Enfim, eu sempre penso que, se existisse algo realmente eficiente, gratuito e popularizado, ninguém mais decuparia áudio na vida, principalmente os jornalistas.

Os experientes já têm suas manhas e decupam conversas imensas em poucos minutos, transcrevendo apenas aquilo que sabem que vão utilizar e deixando para trás os trechos “inúteis”. Eu ainda estou no patamar dos inexperientes. Às vezes esqueço de destacar os pontos principais e o minuto específico daquela aspa que quero (tudo isso enquanto a fonte está lá falando… mas também pudera, né? Haja habilidade!). Além disso, sempre acho que eu vou usar aquela parte da fala – que possivelmente deixaria passar – nem que seja para contextualizar algum trecho da matéria. No fim, percebo que transcrevi ipsis litteris o que a fonte falou. E, quando acaba a matéria, me dou conta que não usei nem metade daquela decupagem imensa. Dá raiva, né? Mas serve para aprender (ou não!).

Nas pautas mais simples, é possível segurar o celular e anotar as partes principais da fala da fonte (digo isso porque consegui fazer rs) e, às vezes, nem há necessidade de recorrer mais tarde ao áudio armazenado. Mas é sempre bom gravar por segurança, né? Vai que o bloquinho caia e as ondas levem todas as suas anotações pro baú da sereia, numa pauta na praia, por exemplo! Já pensou? Não é aconselhável dar sorte pro azar…

Além da segurança, é bom lembrar que a gravação é a documentação da apuração jornalística. Com ela, você pode provar que a fonte disse o que disse (caso role aquele processinho). Mais um motivo para levar o celular/gravador debaixo do braço.

Nas matérias grandes, anote os pontos mais importantes também. Pode acontecer de você se envolver na conversa, estar tão atenta à fala da fonte, e acabar esquecendo de anotar os tópicos principais. Acontece… Comigo, já rolou várias vezes, inclusive rs. Não é ruim estar bastante concentrada na conversa, pois de uma determinada fala pode surgir uma pergunta legal e importante. No entanto, caso você consiga dividir a atenção entre o bate-papo e as anotações, já facilita o trabalho na hora de selecionar as principais informações colhidas.

Enfim, colega… não se desespere, não. No começo pode dar trabalho, estressar, mas tudo passa, né? Com a experiência e a prática, as coisas se tornam muito mais fáceis e até dá a impressão de que você já nasceu sabendo fazer aquilo.