Aprendendo a rotina, afugentando os bichos estranhos

Aprendendo a rotina, afugentando os bichos estranhos

“Cada edição é um aprendizado” (Sérgio Costa)

Às vezes, ainda não acredito que faço parte do Jornalismo de Futuro. Para ser bem sincera, mesmo após duas semanas da divulgação dos resultados, ainda preciso de algum estímulo mental para acreditar que estou em uma equipe que, há seis meses, parecia tão distante. Talvez, por esse motivo, esteja tão deslumbrada com tudo que tenho visto e que nos vem sendo apresentado.

É verdade que mal começamos o processo de imersão na rotina da redação do Correio*, mas a sensação que tenho é que estou entre amigos. Provavelmente, muito disso se deve a Carmen Rezende, a moça gentil do RH (que também parece uma modelo), e de Oscar Valporto, o editor executivo do jornal, que nos conheceu antes mesmo que nós o conhecêssemos.

Lembro de quando Oscar se apresentou a mim e a outras duas colegas, desculpando-se por precisar se ausentar em nossa entrevista de seleção. Ele já se dirigia a nós pelos nomes, mesmo nunca tendo nos visto, pessoalmente, antes. Todo esse cuidado fez com que o grupo de estudantes se sentisse especial, embora seja apenas um grupo de estudantes.

A visita guiada à Rede Bahia (que a cada dia se revela maior para uma jovem deslumbrada) só serviu para reiterar esse cuidado e acompanhamento constante, já que envolveu outros funcionários – que foram tão solícitos quanto os dois primeiros com quem tivemos contato.

Ao fim da visita, me senti como se tivesse sido contagiada por alguma espécie de “vírus” jornalístico, que me fez ter certeza de que escolhi o caminho certo para minha vida. Quem estiver lendo isso pode questionar o motivo de esse vírus só ter surgido agora, na metade do meu curso, mas a verdade é que, no cotidiano acadêmico, esse sentimento não consegue triunfar sempre. Adoro discussões teóricas, mesmo as que parecem não ter qualquer aplicação em nossas realidades, mas, infelizmente, esse tipo de atividade tem exagerada predominância na faculdade – e o verdadeiro fazer jornalístico se perde.

Ali, entretanto, reencontrá-lo foi tão fácil. Ou, pelo menos, tem sido assim desde que  estive na Rede pela primeira vez (ou, talvez, desde que senti um deadline apertado, em uma de nossas provas de seleção). Enquanto estamos ali, sinto-me arrebatada pelo clima no qual aqueles profissionais trabalham, parecendo sempre tão felizes e instigados a continuar a busca pelo melhor e pela inovação.

Gustavo Acioli, o jovem editor multimídia (o rapaz que é “importado”, mas usa mais expressões baianas do que eu, que sou baiana legítima), foi categórico ao nos dizer que o jornalismo não pode ficar para trás nessa busca por inovação, nem deve continuar tratando os novos dispositivos como bichos estranhos. “Meu grande sonho é que as redações sejam plurais. Vivemos num mundo de novas plataformas e, ainda assim, nós, jornalistas, somos os mais caretas para usar esses dispositivos”, lamentava Acioli, enquanto ajeitava os óculos de geek no rosto.

Quando escuto algo assim, sinto a responsabilidade que está em nossas mãos – não apenas da turma do Jornalismo de Futuro, mas dos futuros jornalistas. Por mais jovens e seguidores/criadores de tendências tecnológicas que possamos parecer, não dispenso a caneta e um bloco de papel fluorescente para apurar uma matéria. Por outro lado, não acho que esses elementos da prática jornalística vão desaparecer em um futuro tão próximo. Tal como definiu Sérgio Costa, diretor executivo do Correio*, jornalismo é rotina. E o bloquinho, jurássico ou não, faz parte dessa rotina (que não significa, necessariamente, que teremos um dia igual ao outro).

Pode parecer cedo para chegar a qualquer conclusão definitiva. No entanto, sei que não é cedo para dizer o quanto estar na redação me inspira. E, principalmente, não é cedo para registrar (e propagar) o quanto estar em uma redação me dá a certeza de que é ali que quero estar.