Ô de casa!

Ô de casa!

Quarto dia efetivo de programa e já sinto o peso das ideias querendo sair do papel. Mas… Desculpem-me as ideias, hoje vou deixar o delay agir e seguir o fluxo prioritário de primeiras impressões.

A primeira impressão da redação do Correio* foi um justo respiro de correria. O panorâmico inicial foi calmaria e organização. Afinal, quanto de correria escondida estaria atrás das pessoas e máquinas em uma redação de jornal?  Os dedos inquietos e os olhares atentos à tela do computador faziam a minha curiosidade gritar alto. A cabeça de repente vira um quadro cheio de post-its mentais e em menos de cinco minutos as perguntas já eram incontáveis. Nem o bloco de notas guardado na bolsa – ainda tímido – daria jeito. Talvez já existisse em mim a calma efervescência da redação.

Normal também o impulso no hesitar, estava em ambiente novo. Existia a pressão de lidar com primeiras impressões. E, quer queira quer não, ela é a que fica e finca. Mas todo esse clima de “fazer sala” durou pouco. Ainda cauteloso, deixei a curiosidade passar à frente da vergonha e sinalizei levantando o dedo indicador insinuando um tímido “quero perguntar”.  “Não precisa levantar dedo, pode falar”, de imediato respondeu Oscar Valporto, Editor Executivo do Correio*. Depois disso, tranquilizei. Quanta besteira! Lembrei imediatamente de um dos primeiros conselhos levantados por ele: “Não tenham medo de fazer perguntas, mesmo que sejam idiotas”.

Quebrar o gelo, sentar no sofá da sala da redação, sentir-se à vontade. Foram essas as sensações pós-primeira pergunta emitida. O tempo, relativo que é, começou querer passar rápido e a pergunta de primeira já era a terceira ou quarta. Os pontos de pauta da conversa variavam: organização da redação, diagramação, possíveis imprevistos na redação de um jornal impresso, distribuição dos jornais nas ruas, número de exemplares vendidos. A carga de informação foi alta e os post-its mentais iam sendo arrancados com um check mental um a um.

Após sair da redação, a experiência foi estendida para a mente, para o campo das reflexões. Não parava de pensar na rotina excêntrica que tinha acabado de conhecer com horários próprios, cíclicos e rítmicos. Tornou-se inevitável os autoquestionamentos: Será que as pessoas têm noção de como um jornal é produzido? Da correria que pode ser? Dos deadlines que gritam contra o tempo? Muita gente devia saber disso.

Ao final, a sensação do sentar no sofá e de gelo já derretido persistiu. Já saindo da redação os nove jornalistas de futuro uníssonos diziam: é, nos sentimos em casa.

Por Darlan Caires