Sem dúvida, um dos assuntos que mais despertam o interesse dos estudantes do programa Jornalismo de Futuro é cibercultura. Fazemos parte da primeira geração que observa as transformações da imprensa e que leva ao mercado de trabalho, portanto, os desdobramentos disso. Blog, Facebook e Twitter são ferramentas básicas dessa rotina – seja no uso ou simplesmente na análise delas, ao menos, atualmente, já que pela dinâmica da rede nunca se sabe quando este foco pode mudar. Por isso, uma da tardes mais animadas até o momento foi o dia em que desvendamos o que está por trás da construção do posicionamento do CORREIO na rede. Para isso, contamos com as experiências de dois profissionais da casa.
Gustavo Acioli, jornalista, formado pela Universidade Federal de Alagoas, tornou-se membro da equipe do CORREIO, em 2008. Sua função: gerenciar as mudanças do jornal em níveis virtuais. Sua turma, de 1999, foi a primeira daquela faculdade a ter contato ainda na academia com uma redação online, espaço que parece ter fisgado as atenções do, então, estudante, atual editor multimídia. Além dele, o editor de conteúdo do Correio24horas, Diego Mascarenhas, também nos contou sobre o ritmo da produção por lá.
iBahia e Correio24horas são produtos vinculados ao jornal, na rede. Há cerca de um mês, as redações de ambos passaram a ocupar um único espaço físico, um aquário (ambiente de produção jornalística) bem perto da área do impresso. O objetivo da ação foi melhorar a comunicação entre os profissionais envolvidos. Se os dois veículos pertencem à mesma empresa (Rede Bahia) e são de notícias online, os que trabalham neles devem saber bem as linhas editoriais que os diferem. E nada como o constante contato para definir ainda mais tais limites, de acordo com Acioli. Questionado sobre as reuniões de pautas, eles afirmam que elas acontecem por todo o dia, a todo momento, de forma natural, na medida em que as pautas aparecem.

Na linha de frente, nós, nove estudantes do Programa Jornalismo de Futuro. A camisa 10 estava por trás desta lente. Professores da Facom aparecem ao fundo
Salto virtual
Em 2008, o site do jornal Correio da Bahia tinha uma média mensal de 350 mil visualizações. A implantação de um layout mais limpo à página e de uma equipe focada na produção de matérias no estilo hard news, notícias objetivas, atuais e de mais impacto, deu dinamicidade à pagina. O resultado foi um salto notável no primeiro mês: 2,5 milhões de acessos. Hoje em dia, após três anos, a média é de aproximadamente 13 milhões por mês – chegando até aos 15 milhões.
O page flip (exemplar virtual do jornal), disponibilizado online gratuitamente, foi outra inovação introduzida no mesmo instante em que foi posto nas bancas o primeiro CORREIO – reformulado, portanto, deixando de ser o Correio da Bahia. Com a ascensão da mídia recriada, o setor comercial da Rede Bahia também precisou se atualizar para lidar com as novas possibilidades de vendas que surgiam. As verbas desse mercado publicitário estão , mais do que nunca, fragmentadas. Veículos de grande porte já disputam cifras com uma imensidão de sites e blogs.
Inovação, palavra-chave
Para aumentar a visibilidade e expandir tal público, surgem as inovações. Para os viajantes, tem CORREIO. Totens foram fixados no aeroporto de Salvador com a exibição online do diário, o que expande e valoriza a marca da empresa. E para os carnavalescos, também tem CORREIO. Um aplicativo para celulares em que é possível localizar os trios elétricos nos dois principais circuitos de Carnaval de Salvador foi lançado em fevereiro deste ano e obteve 367 mil acessos durante os dias de folia, em 110 cidades do Brasil e em mais 36 países. Essas são duas das novidades idealizadas pela equipe liderada por Acioli.
Seu trabalho, além de coordenar a produção dos sites, é, portanto, o de pensar em como a companhia pode agregar ferramentas que a cibercultura coloca à disposição. Ou seja, estar atualizado, descobrir o que o mercado oferece e, a partir disso, imaginar experimentações tecnológicas aplicáveis à realidade do periódico. Uma das dicas que Acioli dá aos estudantes de Jornalismo de Futuro, a propósito, é a de que fazer jornalismo, hoje, não é só escrever bem, mas também estar antenado nas novas modalidades de construção da notícia e nos novos suportes e plataformas de exibição dela.