Naiana Ribeiro: “Sofria muito bullying. O feminismo me ajudou”

Ela tem a sede pela quebra dos comodismos e conseguiu que um cargo no Jornal CORREIO fosse criado após a sua chegada. Com um sorriso aconchegante nos olhos até ao mostrar indignações, Naiana Ribeiro, de 22 anos, levanta as bandeiras que lutam por mais respeito em sociedade e demonstra a garra das veias empreendedoras. Formada pela UFBA há poucos meses, a jornalista carrega reflexões críticas sobre as principais pautas do século XXI. Idealizadora e autora da revista digital PLUS, que trata do movimento plus size e de outras noções revolucionárias, como as do feminismo, Naiana deixa dicas para mentes transformadoras e lança desabafos ao responder as 11 perguntas da série de entrevistas produzida pela 11ª turma do Correio de Futuro – a qual se propõe a conhecer melhor os profissionais do Jornal CORREIO.

Correio de Futuro: Não existia um cargo de ativista de mídias digitais dentro do jornal antes de você. Como alguém pode chamar atenção para a necessidade deste tipo de atividade dentro da empresa em que trabalha?

Naiana Ribeiro: Para que eu entrasse nessa área foi preciso, de fato, mexer os pauzinhos. Eu conversava com alguns editores informalmente sobre como o jornal poderia ter ‘mais coisas’ nas áreas multimídias, na criatividade em redes sociais e em outros quesitos. Eu futucava tudo para levantar ideias de pontos fortes e fracos. Quando eu estava saindo da editoria de Economia, na qual eu estagiava, fui chamada e informaram que desejariam a minha continuação no jornal. Perguntaram o que eu mais desejaria fazer e, obviamente, não tive receio, após tantos pitacos, de citar sobre o foco maior em multimídia.

Por isso, acho importante que a pessoa vá aprofundando os conhecimentos nas áreas que deseja incrementar, que estude para ter mais base argumentativa, técnica e prática, para chegar e mostrar. E mostre aos poucos o interesse nas redes sociais e a importância delas nos dias atuais. É claro que tudo depende muito do cenário da empresa. Se você é novo nela e não sente tanta liberdade, o interessante é que vá inserindo isso aos poucos e o início pode ser dando exemplos do quanto elas dão leitura. Se for em um jornal, por exemplo, pode encaixar um podcast, um vídeo ou outros formatos, sugerindo formas diferentes de compartilhar e divulgar. Isso vai mostrando o quanto seguir esses caminhos causa impactos. Quando uma empresa faz algo no site, por exemplo, isso tem que ir para as redes sociais e vice-versa. Hoje o segredo é a conversa entre plataformas, principalmente. Tem que sugerir ideias e ideias até acumular um pouco esse ideal na cabeça da equipe, da empresa. Mas tem também que existir um cuidado para mostrar que você sozinho não dá conta de sempre fazer isso, que é preciso uma estrutura maior, um cuidado, um suporte, e por isso o cargo criado e firmado é importante.

Depois, a pessoa pode chegar com um projeto pronto, pedir para apresentar e até usar os exemplos do que foi feito antes, aos poucos. É importante colocar em um projeto os resultados, a repercussão e como isso pode beneficiar a empresa, porque querendo ou não é um investimento que será feito. Eu já usava ferramentas na redação que outras pessoas não usavam, como o aplicativo Infogr.am. E eu usava pra incrementar algumas ideias que já tinham sido postas em prática. Então, no fim da história, fiz um e-mail bem organizado explicando essas ferramentas e como elas poderiam impactar, expliquei que achava que deveríamos melhorar a interação com os leitores, usei argumentos com bases em exemplos e mandei para Juan Torres (editor de inovação). Acho que esse e-mail acabou sendo um divisor de águas, mas não teria essa força se durante o estágio eu não tivesse plantado a semente no terreno.

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Naiana Ribeiro. Foto: Arquivo pessoal

Quais os seus maiores alertas para um jornal ou jornalista (que tem blog, por exemplo) que deseja divulgar o trabalho através das redes sociais? O que não recomenda que seja feito?

No caso de jornais, eu não recomendo que compartilhem conteúdos que não são deles, porque se o negócio é a informação, não deve compartilhar de outros lugares, principalmente por quesitos éticos. Já que não se sabe como foi a apuração feita por aquele veículo, por exemplo. Por isso que se um jornal, eticamente correto, vê uma matéria de outro lugar, vai apurar aquilo com cautela e não simplesmente escrever de forma diferente o que já leu e botar no ar. Mesmo que a responsabilidade daquilo fique para a outra empresa, o cuidado maior é a informação emitida, o que acaba, direta ou indiretamente, sempre afetando a credibilidade de quem compartilhou. Em um blog, não vejo tanto problema de compartilhar outras informações, já que muitas vezes o enfoque não são exatamente nelas, mas engajar debates e afins. Um blog pode ser algo mais voltado para opiniões e levantamentos dessas discussões. É claro que, em ambos, o cuidado com a verdade deve ser visado, mas existe essa diferença de limites.

Outro detalhe é que se você tem uma equipe, se a empresa é maior, é importante que criem certos padrões como guias, formando uma unidade. Fiz no CORREIO o nosso ‘Manual de Conduta’, porque a gente não tinha essa ideia antes, essa preocupação em “ser apenas uma pessoa”. Essas padronizações devem ocorrer, mesmo que elas mudem com o tempo, se adaptem a novas circunstancias, porque assim você cria marcas, cria uma personalidade que acaba dando uma sensação maior de proximidade para com o leitor. O leitor vai sentir mais que ‘conhece você’, e isso faz as pessoas retornarem, assim como voltamos para casa.

O jornal mostrava que eram várias pessoas diferentes nas redes… trabalhando, respondendo, cuidando de tudo. Tinha gente que falava ‘obrigada’ e gente que falava “obrigado”, gente colocando algo em minúsculo e outras pessoas colocando em caps look e por aí vai. Uma empresa precisa de um consenso para chegar nessa unidade, então organizei isso e hoje o Jornal CORREIO é uma persona, ou seja, sempre parece que é a mesma pessoa que posta. Para criar essa identidade eu tracei um perfil da persona, esclarecendo quem é, o que come, o que faz, idade, os limites de respeito que não pode ultrapassar, entre outros pontos. Hoje todos respondem “obrigado”, sabem quando usar ou não caps nas hastags.

A equipe também não deve deixar de olhar o que um ou outro está fazendo. É importante para trocar ideias. Sempre acabo dando dicas que entram nos nossos ‘padrões’, como, por exemplo, quando disse em um pitaco “coloca um coração partido na matéria de desilusão amorosa”. E, para finalizar, mais uma coisa que acho importante é a de não esquecer de valorizar os leitores que estão sempre presentes, que sempre comentam. Eu anoto quem são essas pessoas e acho importante que o retorno seja bacana, que um comentário agradecendo a ela deva ocorrer em algum momento.

Você criou a revista PLUS como trabalho para o seu TCC. O produto engloba o movimento Plus Size, o poliamor e outras temáticas que quebram os paradigmas dos padrões impostos pela sociedade. Você sofreu muito com esses padrões? Com superou?

Quando eu era criança eu sofria muito bullying por questões estéticas, os meninos me davam muitos apelidos, chamavam de “baleia”, essas coisas. Mas eu sempre tive amigas que eram presentes e me davam muita força, que ajudavam meus olhos a ficarem abertos para ir contra essas noções sociais que podem mudar a qualquer momento e que impõem ideia para algo que é tão relativo, como é a beleza. Eu ficava chateada, mas sabia me impor, respondia com graciosidade mais do que grosseria, porque assim sempre temos mais razão. Então eu seguia em frente, eu estava sempre sorrindo e mostrava que eles (os que faziam bullying) não tinham poder sobre mim. Então alguns meninos, por exemplo, iam parando de falar coisas assim. Eu sempre fui muito aberta, amiga de varias pessoas e acho que isso também me blindava de certa forma. Mas no fundo eu sempre pensava que tinha que emagrecer, olhava as revistas e ficava pensando naquelas imagens. Mesmo quando a pessoa está sorrindo, mostrando que aguenta a barra, as ofensas gratuitas sempre afetam negativamente, sempre causam lágrimas, mesmo que não externas. O problema é que a medicina trouxe o gordo como sinônimo de doença e isso virou basicamente uma “verdade universal”. As pessoas precisam passar a pesquisar mais as coisas antes de cuspirem apenas o que foi injetado, ainda mais com tantas oportunidades para aprofundar saberes como temos hoje. Ser gordo não é sinônimo de não ser saudável, existem questões genéticas e/ou de doenças.

Quando fui fazer meu projeto eu queria algo que não acabasse ali, que eu pudesse continuar depois e que tivesse a ver comigo. Como eu gosto de design e acho importante essa multitarefa hoje para o jornalismo, quis fazer um produto. Então, olhando as revistas atuais, lembrei de como isso me afetava e resolvi fazer a PLUS. Inicialmente se chamava Descapricho, mas então a minha orientadora disse que eu não estava indo por um bom caminho, já que estava diminuindo algo enquanto buscava, justamente, lutar contra a humilhação, mostrando que podemos ser melhores do que isso. É aquela coisa de não diminuir o outro para crescer, de humildade e consciência. Enfim, nesse processo todo eu comecei a reparar que não era só a questão da magreza, eu fazia muita coisa antes pra seguir tendências e padrões sociais e eu nem reparava tanto. O projeto do TCC me ajudou a reparar que eu não preciso ir de salto para a balada, que eu posso ir de tênis e me divertir muito mais. Comecei a observar o que me deixa confortável e a colocar isso acima de tudo.

A luta não deve ser somente para o que incomoda e precisa melhorar, não somente para que cessem as ofensas, mas principalmente, para que busquemos soluções, para o incentivo de lembrar

Quais os padrões que mais incomodam você atualmente?

Existe uma questão dentro desse assunto que é o que mais me incomoda. E ele é o esquecimento das minorias dentro das minorias. Juntos somos mais fortes, mas acabamos segregando demais. Uma minoria não deve esquecer da outra. O racismo, por exemplo, prossegue dentro do mundo LGBT e os negros sofrem uma dupla discriminação. Então um movimento, abraçando o outro, ganha muito mais base argumentativa e pode conseguir melhor o que procura, que é o respeito mútuo. Isso é uma primeira reflexão.

Outro ponto é em relação ao modo de ver as coisas. Procuramos muito sobre o que reclamar ao invés de simplesmente inverter a situação, tomar uma atitude diferente. O termo “plus size”, por exemplo, foi criado por ser “tamanho fora”, ou seja, não inclui, exclui. Mas é um termo de resistência, é necessário, mostra que deveria estar dentro também. É assim que enxergo. Então acho também que falta nessas lutas as formas diferentes de interpretar essas questões, levando para o lado de uma reflexão útil e crítica que pode beneficiar as suas lutas.

A gordofobia, como já falei, também me incomoda muito ainda. A sociedade ainda não está adaptada para o diverso, não pensa em todo mundo. Eu não passava em algumas catracas, não ficava confortável em algumas cadeiras de restaurantes e em alguns locais nos quais as outras meninas passavam sem problemas, eu sofria por isso também. Às vezes a sociedade afeta pessoas “diferentes’ não só diretamente, não só xingando, apontando o dedo, mas também da forma indireta, por simplesmente esquecer delas. Aí eu penso novamente em outras minorias, nas pessoas que usam cadeiras de rodas, em problemas e coisas que esquecemos. Acho que padrões acabam impondo esse esquecimento, essa mania de colocar em último plano, então a luta não deve ser somente para o que incomoda e precisa melhorar, não somente para que cessem as ofensas, mas principalmente, para que busquemos soluções, para o incentivo de lembrar.

O que você pensa sobre o feminismo?

Eu não tenho um vasto conhecimento teórico sobre o feminismo, mas eu leio algumas coisas do assunto. Antes achava o feminismo muito radical. Quando entendi o empoderamento, comecei a me identificar bastante, a ser ajudada e, com as leituras, pude começar a captar melhor os sentidos do movimento. Comecei a entender que toda mulher tem que ser feminista. Pude entender que existem diversas vertentes e, pelo que sei, me identifico mais com a liberal. A questão da equidade é a que defendo. Os direitos tem que ser os mesmos e é essa a minha luta dentro dos tantos feminismos que temos, mas que acabam sendo necessários uns para os outros.

Faço parte do grupo Feminismo Salvador (grupo fechado que atua no Facebook). Sou muito orgulhosa de termos aqui no Jornal CORREIO uma editora chefe mulher e negra. Ainda temos um mercado de trabalho tão injusto, com mulheres ganhando menos e não alcançando cargos apenas por preconceitos. Quando reparamos nisso, tomamos consciência da importância do feminismo. Pretendo estudar mais, porque muitas vezes o que falta é conhecimento de que existem vários feminismos, mas essa base de luta precisa existir e é o que mais importa. O que mais me incomoda ainda é o assédio, a cultura do estupro, essa naturalidade de uma invasão que muitas vezes ocorre em detalhes e que acabam sendo vistos como pequenos. Tudo foi muito minimizado durante anos. O respeito foi pisado e ainda não chegamos nem perto de onde deveríamos.

Você acabou de se formar. Pensando no quanto o jornalismo requer, cada vez mais, um perfil de profissional multitarefas, o que considera importante estudar daqui para frente?

O formato audiovisual é um dos que mais quero dar prioridade agora. É algo que vai se adaptando, não importa qual a mídia. Pode ser encaixado em um texto, ser complemento de uma matéria ou ser ela por si só. Acho que além dos estudos técnicos, temos que estudar essas questões. Por exemplo, nessa questão do audiovisual, é muito importante colocar legendas nos vídeos. Eu vi uma pesquisa que afirma que 70% dos brasileiros não assiste vídeos no Facebook com áudio, então isso é fundamental. Esses quesitos de marketing devem ser lembrados.

Outra área que eu quero aprofundar é justamente a de marketing. Eu utilizo o marketing muito como base na minha visão, com o que li e vivi, mas faltam dados para que eu possa convencer dos meus argumentos com mais firmeza quando tenho novas ideias. E saber captar esses dados sozinha com estudos próprios é uma das melhores maneiras. O jornalismo de dados está aí, mas juntar isso com uma compreensão maior de como estudar um público é muito mais enriquecedor.

Quero muito também focar em programação, estudar HTML, etc. Quero poder fazer um produto individual. Saber criar um site completo ajuda a realizar tanta coisa. Já tive a ideia de fazer um jogo online, por exemplo, mas não sabia como fazer por conta dessa questão de programação. O jornalista hoje precisa disso e acaba ficando com a criatividade sendo barrada muitas vezes por não dominar essas áreas.

Mas é claro que desejo tudo isso sem deixar de aprofundar as técnicas de texto, porque muita gente pensa que a parte textual não está em tamanhas mudanças, já que devemos correr atrás desses outros mais novos pontos, só que saber fazer um título que chame a atenção e seja ético, saber fazer um texto diferenciado, saber escrever de forma atraente e séria simultaneamente, requer não só prática, mas também estudo.

 

Eles (o Buzzfeed) fazem o que é preciso atualmente: testam. Não se prendem a uma coisa só.

Falando em títulos, você muda alguns nas matérias ao postar nas redes sociais, criando algo mais leve e humanizado. Quais cuidados você toma ao brincar com a criatividade em casos assim?

O que eu mais penso é no cuidado necessário para que não fique sensacionalista, para não fugir do real. Em duas linhas, duas palavras, você pode fazer algo diferenciado sem precisar aumentar os fatos. Estar atento aos entornos, aos comentários sobre os assuntos, ao que pode ser conectado àquilo é interessante; isso pode ser utilizado sem que se precise radicalizar.

Por exemplo, tivemos alguns títulos como o das Olimpíadas, que dizia “Alemanha chegoool”, sete vezes. O título da matéria sobre a morte do ator Domingos foi um bom exemplo de como ser criativo também. Ao usar o contexto e, ainda assim, não perder o respeito ao caso delicado, o título dizia “Mais terrível que a ficção”. Ou seja, é tudo questão de ponderar se pondo no lugar de quem está dentro daquela história, de quem pode ser afetado por ela, é a questão básica do respeito. Em alguns casos não se pode fazer brincadeira alguma ou tomar muito cuidado caso faça. Uma matéria sobre chuva, por exemplo, vai poder brincar com alguns fatores se só esfriou o tempo; mas se pessoas morreram, não. É uma questão do faro ético jornalístico mesmo.

É necessário o cuidado também para reparar se a matéria é sobre algum anunciante. Temos que tomar, obviamente, cuidado com as brincadeiras nesses casos. Não significa omitir nada, mas ponderar a forma de emitir. É preciso, ainda, estar atento ao que está ‘na moda’ para não ficar brega. Os emojis, por exemplo, nós usamos hoje, mas amanhã talvez não seja mais tão cabível. É preciso se atualizar. Cuidar dos comentários também é preciso, lembrar que ser grosso faz você perder tudo. Melhor responder com humor ou de outra forma leve, sem atacar. O jeito de falar, as palavras selecionadas, mudam tudo.

Antes eu me irritava com algumas coisas e queria gritar, hoje eu penso “qual brincadeirinha que posso fazer pra responder isso de uma forma reflexiva, mas com bom humor”? Por exemplo, quando reclamam de algum erro de digitação, já respondo “Ai, esse corretor automático… rs” ou algo leve assim. Criamos algumas respostas padronizadas para algumas situações também. Por exemplo, muita gente acaba comentando críticas negativas em matérias de entretenimento, temos uma resposta padrão que esclarece o fato de que o jornal busca informar sobre diversos âmbitos e que tudo terá o grau de importância. Sempre deixo claro que vamos levar em consideração a opinião daquele leitor e esclareço o que é fundamental de forma tranquila.

Que perfil de jornal brasileiro merece todos os likes do mundo? E por quê?

O Sensacionalista? (Risos). Sempre olho o Estadão, por exemplo. No Facebook, a equipe tem um perfil mais sério, fazem menos brincadeiras, mas fazem também um bom estudo de marketing e lidam bem com o público de foco, creio eu. Não sei se algum perfil merece “todos os likes do mundo”, porque nada agradaria a todos, obviamente; mas temos aqueles que gostamos e sabemos que fazem um trabalho ético importante. Estadão inspira pela seriedade.

Apesar de ter algumas restrições com o conteúdo, a página do Facebook da Veja é outro que sempre vejo e uso como inspiração. Eles tem muitos títulos criativos. A Exame e a Superinteressante tem algumas coisas bacanas também; eles cuidam muito das fotos. Eu me inspiro muito também em perfis de publicidade, tem um que se chama Incrível que gosto bastante; eles têm uma coisa mais minimalista, passam o recado de forma criativa e têm umas pautas interessantes também, fazem umas listas curiosas, são coisas que acabam nos dando uns insights diferentes.

Os perfis do Buzzfedd também são super bacanas. Eles fazem um jornalismo diferente, fazem matérias com muitas fotos, listas, passo a passo e usam de várias construções diferentes. Eles têm várias páginas diferentes aqui para o Brasil, como se fossem várias categorias dentro do Facebook. São vídeos bons e uma mescla de matérias mais descontraídas com outras mais sérias. Às vezes fazem textões, às vezes fazem uma postagem com frases curtas. Eles fazem o que é preciso atualmente: testam. Não se prendem a uma coisa só.

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Você busca responder o máximo de leitores que consegue nas redes. As pessoas passaram a comentar mais depois desses feedbacks? Passaram a compartilhar mais? Fale sobre esses impactos.

As pessoas agora falam muito com a gente já esperando uma resposta, então vão direto no Instagram, por exemplo, por saber que estamos lá constantemente. Os leitores passaram a falar mais no inbox e, às vezes, coisas interessantes começam a surgir disso; como boas ideias e informações. Então, sim, eles ganham mais gosto de falar conosco e imagino que isso acabe fazendo com que essas pessoas escolham entrar em contato com o jornal antes de ir falar com outro veículo sobre alguma coisa que consideram importante.

Eu tento responder de tudo. Respondo até as coisas mais bestas. Quando não tenho como saber, faço uma pesquisa rápida e indico um site sobre o assunto perguntado (que não seja concorrente) ou algo assim, ou indico algo do próprio CORREIO e faço a pessoa ir no site. Elas ficam muito gratas. Acho que isso hoje é fundamental, dá mais engajamento, que é mais importante do que seguidores e outros números. (O engajamento) mostra realmente a influência. Os usuários estão não só comentando mais, mas também, sem dúvidas, compartilhando mais.

Uma coisa muito importante é que com essas estratégias de títulos, de fazer gifs e coisas criativas sem perder a seriedade ética, acabamos causando mais interação. Por conta de um comentário que fazemos na legenda ao postar, por exemplo, as pessoas comentam mais. Fazemos perguntas para os leitores, às vezes nas próprias legendas, e eles respondem. Antigamente existia o pensamento de que um grande artista ou marca deveria ser um pouco distante, que poderia perder a credibilidade ao responder muitos comentários. Hoje em dia, é justamente o oposto disso que ocorre. Os artistas que ganham mais seguidores são os que compartilham mais e respondem mais, porque instigam as pessoas a se sentirem próximos. E assim a curiosidade aumenta.

Você acompanha algum revista digital ou blog? Qual a favorita?

Eu acompanho muitas blogueiras porque acho muito legal as formas com as quais elas se comunicam com os públicos, os formatos que utilizam para isso e as ideias que têm para dar feedbacks criativos. Acho que não deve existir o preconceito. Não pode ver o trabalho de alguém apenas com achismos, por ter visto algo naquele âmbito que não agradou. Mesmo que um conteúdo não esteja tão bacana, às vezes algo dentro daquilo, como os formatos, pode inspirar e trazer ideias, abrir visões. Tem uma revista que sigo que é escrita por varias meninas. Elas tem um objetivo bem próximo ao da PLUS, de desconstruir padrões. O nome da Revista é Capitolina. As autoras fazem textos muito diferentes, escrevem em formatos diferentes, desde artigos até listagens. Gosto muito do Jornal NEXO também.

Quais as suas dicas para uma empresa crescer atualmente em cada uma das redes sociais?

Antes de qualquer coisa, ratifico sobre a importância de ficar de olho no que está em alta nessas redes. Atualização é sempre o principal segredo. Mas vamos lá…

No Facebook: Fazer vídeos, principalmente de passo a passo, gifs, transmissões ao vivo com boa qualidade e enquetes.

No Instagram: Depende muito do negócio e dos assuntos utilizados. Na nossa área, cards dão muito certo.

No Twitter: Criar enquetes, lançar hastags, cobrir eventos sem dar links do site do jornal, mostrando assim a importância do Twitter e fazendo com as pessoas lembrem mais do perfil, por ficarem ali lendo a cobertura. Acho que outra forma para os jornais não perderem os furos também é usar o Twitter. Por exemplo, o jornal lança: “Lula morreu, mais informações em breve”, aí causa uma expectativa.

Snapchat ou Stories do Instagram: O ideal é aprofundar a sensação de proximidade, é permitir ainda mais que o seguidor sinta que está naquele momento com você. Então, se é uma celebridade ou coisa assim, acho que vale mostrar o dia a dia mesmo, os bastidores. Para uma empresa, isso é válido também. E eu queria mostrar a redação aqui do jornal, inclusive. Mas acho que as pessoas buscam, no caso das empresas, mais informações que inspirem para o lado empreendedor ou que tenha a ver com o conteúdo de base da empresa do que só essa proximidade, então é legal usar curiosidades, mas também focar no assunto principal do lugar. Por exemplo, se é uma empresa de publicidade, é necessário que foque em dar dicas sobre a profissão. Para o jornalismo, é interessante fazer cobertura de eventos e coisas assim, dando informações na hora, como no Twitter. O legal é que dá pra usar o vídeo para outras coisas depois, como para o Instagram. Por isso salvo todos.

WhatsApp: Fazer uma lista de transmissão que incentive o leitor dizendo, por exemplo: “Se você quer receber notícias, adicione o número tal e envie seu numero para ele”. Também é bacana fazer um grupo com algum tema para discutir, fizemos um de futebol (Ba-Vi) que deu muito certo. Isso causa uma sensação de familiaridade com a empresa (o jornal) e faz com que os leitores acabem buscando o veículo como primeira opção sobre aquele assunto.

Vanessa Brunt
Vanessa Brunt
Apaixonada por entrelinhas, por analisar, por reler e por sentir. É cronista, poetisa e escritora. Autora de como livros como o "Entre Chaves”, do futuro "Depois Daquilo" e mãe do blog de análises "Sem Quases".