Uma conversa com Jacobina

Uma conversa com Jacobina

IMG_2265

Por Rafaela Souza e Renata Oliveira

IMG_2266

“Primeiro: não existe isso de colunista social. O meu trabalho é levar informação ao meu leitor, coisas que eu sei que ele vai se interessar… Eu sou um colunista informativo”. E, foi dessa forma, bem descontraída e humorada, que começamos o nosso bate-papo com Ronaldo Jacobina, há mais de 25 anos no jornalismo baiano e hoje um dos profissionais mais respeitados do estado na área. A história do jornalista no Correio* começou em abril deste ano. 
Além de falar sobre suas experiências como jornalista e a sua rotina profissional, Jacobina compartilhou ainda mais conhecimento com a 12ª turma do Correio de Futuro. O colunista deu seis dicas para ser um bom jornalista:

1. A necessidade de se construir uma boa relação com as suas fontes: Ao longo do tempo em que passou pela editoria de economia e pelo caderno de cultura no Jornal A tarde, Jacobina foi recheando a sua agenda telefônica – não só com fontes baianas mas como de outros estados. “O centro das grandes empresas está fora daqui, lá no eixo Sul-sudeste. E às vezes a gente precisa de informações diretamente dessas fontes. A assessoria de imprensa nunca vai facilitar pra você porque ela quer o crédito para ela mesma.”
2. Saber separar as relações de trabalho das relações íntimas: Ronaldo se considera uma pessoa irreverente e muito brincalhona. Por isso, costuma tratar as suas fontes de longa data com certa informalidade, mas alerta aos futuros jornalistas: “amigos, amigos, negócios a parte”. O colunista afirma que o jornalista é defensor da informação e que não está no cargo para criar amizades: “Você corre atrás, você apura, e só publica quando tem certeza sobre a informação. Esse é o seu trabalho”.
3. Ter uma boa abordagem para conseguir as informações: Jacobina acredita que para ganhar a confiança de suas fontes, nunca se deve fazer perguntas no primeiro momento. “Eu nunca comecei uma entrevista fazendo perguntas. Eu converso antes, convido a fonte para tomar um café…” Com sua experiência, percebeu que dessa forma o entrevistado fica completamente à vontade, propenso a revelar muito mais do que o esperado. “O único problema é se ocorrer uma antipatia mútua – o que já me aconteceu. Isso gera perguntas agressivas e respostas piores ainda. Mas, no final, os leitores gostam é disso mesmo: da miséria!” afirma.
4. Garantir a exclusividade da informação: depois de conquistar confiança suficiente das suas fontes para saber dos seus segredos, vem a parte mais difícil: “você tem que fazer a fonte jurar que a informação é só sua, não pode deixar ela postar nas redes sociais ou contar para alguém. E, se contar, tem que amarrar todo mundo pra garantir a exclusividade.” Ronaldo só publica informações exclusivas em sua coluna, pois acredita que, em tempos de redes sociais, surpreender o leitor de jornal impresso tem se tornado cada vez mais difícil.
5. Valorizar o seu trabalho como jornalista: “Eu sempre mostrei muito trabalho e o valorizo muito. Se você não valorizar o seu, ninguém vai”. Para ele, um bom jornalista, além de confiança, precisa ter um olhar diversificado. Para isso, deve “passear” pelas editorias do jornal, assim como ele fez antes de se consolidar como colunista informativo.
6. Encarar as críticas dos leitores de uma forma positiva: “O leitor tem o direito de interagir e eu acho isso bacana”. O jornalista contou que recentemente colocou uma vírgula fora do lugar e recebeu um email que apontava o deslize. “Foi um erro, mas eu não posso reclamar. O leitor está certíssimo e ele quer alguém que escreva direito. Quem paga meu salário é o leitor que compra o jornal”, reiterou. Segundo Jacobina, o leitor tem o direito de interagir e nós como jornalistas devemos valorizar essa opinião. Afinal, escrevemos para ser lidos e esse leitor é quem nos lê.

IMG_2265