A corrida pelo furo de reportagem

A corrida pelo furo de reportagem

Imagine que você está trabalhando no site de um jornal e descobre algo que ninguém da sua equipe sabe. Agora imagine que isso que você sabe não é conhecido também pelos veículos concorrentes e que é uma “bomba” – no bom sentido. Muito legal, né?! Não? Calma que ainda pode melhorar! Por fim, pense que essa informação ainda nem passa pela cabeça da redação do jornal impresso, o qual você pertence. Agora sim! Paraíso, certo? Correto! Você chegou ao ápice da felicidade. No jornalismo não existe sensação melhor que a alcançada pela descoberta do furo de reportagem. É a credibilidade batendo na sua porta.

Para Diego Marcarenhas, editor do CORREIO24horas, a sua meta é “furar todo mundo”.  Ou seja, o seu objetivo é conseguir uma determinada informação que ninguém possui. É saber do fato em primeira mão e transmiti-lo imediatamente para o leitor. Antes que digam que isso não é muito importante e que jornalista é um bicho besta mesmo, que pensa que basta ter um furo de reportagem que acha que é o dono do mundo, peço que reflitam mais um pouco. O furo representa não somente o reconhecimento de uma boa investigação, ou a superação dos “adversários” na busca pela informação, como também a possibilidade de atração dos novos leitores, que irão valorizar a investigação e passar a considerar que a plataforma tem credibilidade.

Representação da disputa pelo furo de reportagem. Cavalo número 1 caracteriza-se pela boa capacidade de apuração, velocidade na investigação e cautela. Ilustração: Monique Garcez

Diego Mascarenhas falou sobre a sua rotina de trabalho aos jornalistas de futuro. Foto: Lorena Vinturini

Pare se chegar ao furo é necessária a apuração. Não adianta esperar sentado que a informação privilegiada venha ao seu alcance. Cabe ao jornalista investigar, ter boas fontes, correr atrás. Entretanto, ao conseguir a exclusividade, ela não pode ser publicada de maneira irresponsável. Embora o trabalho na web exija atualização constante e velocidade na produção de notícias, qualquer fato deve ser verificado de todas as formas. Gustavo Aciolli, editor Multimídia do CORREIO, acredita que não adianta divulgar uma informação imprecisa. Para ele, na dúvida, é melhor esperar e apurar mais um pouco, mesmo que a concorrência acabe publicando primeiramente a informação.

Mascarenhas conta ainda que possui o hábito de ficar atualizando a página de mais de vinte sites concorrentes, que ficam abertos diariamente em seu computador. Segundo ele, este é um modo de monitorar os outros veículos de comunicação e impedir a desatualização das notícias da sua plataforma online.

Conhecendo o CORREIO24horas

Aciolli revelou que, em 2008, o antigo formato do site do CORREIO contava somente com 350 mil pagevews – cada acesso é contado como um pageview, que nada mais é que a visualização de cada página visitada. A partir da reformulação realizada na plataforma naquele mesmo ano, o veículo passou a receber 2,5 milhões de pageviews. Em maio de 2011 foram contabilizadas 14 milhões visualizações. De acordo com o editor Multimídia, essa evolução aconteceu porque o jornal passou a ser inovador, a contar com um “layout limpo”.

Gustavo Aciolli destacou novo formato do site do CORREIO. Foto: Lorena Vinturini

Embora exista uma busca constante pelo furo tanto por parte do jornal impresso quanto dos jornalistas que trabalham no online, Gustavo Aciolli ressalta que é fundamental que os dois veículos estejam sempre se comunicando. Para ele, o site funciona como os “olhos e ouvidos da redação” e, por isso, mesmo com rotinas de produção e características diferentes do impresso, a equipe da web deve trabalhar em consonância com os demais jornalistas visando o bem comum, que é a atração de novos leitores.