Capítulo I. Febre do Rato

A última semana foi difícil. Na verdade, as coisas começaram a ficar muito difíceis, pasmem, a partir do final da imersão. A imersão, que chegou assustando, deixou saudade – muita mesmo. Qual a medida de uma ideia? Quais as delimitações passíveis de serem aplicadas em algo que parte de vontade, ideologia, loucura e amor – tudo junto? Eis o produto.

Nenhum som traduz. Nenhuma palavra define. Nosso produto nasceu de um parto prematuro e, sim, doloroso. O choque de ideias ainda é latente. A gente discute, a gente inventa, a gente volta atrás e a gente se sente inseguro. Acho que a gente se sente mais inseguro que qualquer outra coisa, nesse momento. Imergir traduz.

Eu não sei como vai ser daqui pra frente, mas adianto que o nosso produto, um bebê imaturo e fragilizado pelas circunstâncias de um parto precoce, vai amadurecer lindamente.

Febre do Rato é uma expressão bastante utilizada pelos recifenses quando querem se referir ao que está fora de controle. Febre do Rato é um filme maravilhoso, dirigido pelo pernambucano Cláudio Assis. Zizo, personagem principal, é um poeta que acredita e insiste que a liberdade pode livrar as pessoas de todos os males. Todos acreditam que Zizo está com a febre do rato pelo simples motivo da exposição incansável de suas ideias que vão na contramão às das amarras tradicionalmente impostas.

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Zizo, Febre do Rato (Foto: Reprodução)

Febre do Rato diz muito, principalmente, sobre o direito de errar. Nós tendemos ao medo de errar e, ironicamente, acabamos por errar involuntariamente. A prioridade aqui não é não errar, porque temos esse direito, mas nos dedicar incansavelmente ao êxito.  Temos milhares de possibilidades e todas elas serão aplicadas, na medida do possível.

Realisticamente, então, vamos tentar controlar nossas esquizofrenias, ansiedades e demais viagens. Pensar mais e correr na mesma proporção. Prometo que vamos trabalhar pelo melhor final – ainda que passível de todos os erros do mundo.