Meio de semana. Tudo parece normal na redação. A etapa agora é a de pautar, apurar, escrever, produzir multimídia e publicar. Um desafio para ser cumprido sozinho. Para isso, algumas horas de apuração. Pesquisa, entrevistas e enfim, rua. Maravilha. A pauta ganha mais vida e cores na rua. Tudo estaria dentro das CNTP se não houvesse algo chamado: urgência e curiosidade jornalística.
Lá estava eu no Centro Histórico de Salvador. Para não dizer que estava só, meu bloquinho me acompanhava e o celular também. Entrevista para lá, entrevista para cá. Bato perna, como já é de praxe. Histórias, atrás de histórias, tudo nos conformes. Até aí a curiosidade jornalística está equilibrada em desvendar e trazer as histórias que parecem banais aos leitores.
Final de tarde. Quando já me preparava para encerrar as entrevistas do dia e fechar o meu bloquinho, ao passar pela Praça da Sé, um fato pula em mim: um homem – que devia ter uns 50 ou 60 anos – caído no meio da calçada. A queda em si já chamaria atenção, já que ele estava de muleta, mas, mais do que isso: ele começou a dizer que sentia fortes dores no coração e a implorar que o ajudassem para não morrer.
A minha pauta evapora. Libero o motorista a retornar à redação. Fico ali acompanhando os desdobramentos. Ligamos para a emergência. As pessoas, angustiadas e nervosas, desejavam que a ambulância chegasse em menos de um minuto para salvar o homem que pedia para ser salvo. Mas, longe disso, demorou bem uma meia hora.
Nesse meio tempo, percebi autoridades que tentavam ajudar e manter a calma do sentimento de urgência das pessoas que viam tudo. Mas é difícil controlar o pânico delas: “por que não colocam logo num carro e tira o homem daqui?”; “gente, para um táxi, pelo amor de Deus”; “oh quantos carros aí e ninguém para pra ajudar”; “meu Deus ele irá morrer!”.
Enquanto isso, o homem soluçava literalmente por ajuda, até que ele fechou os olhos e arriou a cabeça no chão. Assustei-me. Eu mesmo fui checar o seu pulso e, ao tocá-lo, respirei aliviado: “ufa, não aconteceu nada, tem pulso”.
A espera é mesmo sinônimo de angústia. Perguntava detalhes sobre como tudo tinha começado aos que estavam próximo a ele desde o início. Pouca coisa soube sobre, apenas que o seu estado de saúde alertou a todos. Enfim a ambulância chegou, a equipe é ágil. O põe na maca com os devidos cuidados e o leva para o hospital. Por sorte ele foi socorrido.
Após o homem ser levado – e não, não soube qual era o seu nome – me despedi dos que acompanharam tudo. As pessoas são mais solidárias com as outras do que a dinâmica do mundo nos faz crer. Desse instinto jornalístico de acompanhar os fatos para denunciar possíveis irregularidades, descubro o quão nos é valiosa essa missão de observar e reportar. E a pauta inicial? Você deve estar me perguntando. Bom, ela vai seguir, mas não na mesma urgência de uma emergência.