A previsão é de mais chuva

Hoje foi dia de sair para rua e cobrir os estragos que a chuva tem causado em Salvador. Visitei a comunidade de Barro Branco, na Avenida São Martin, que voltou a sofrer com deslizamentos de terra. No ano passado, essa foi uma das áreas mais atingidas na capital, deixando 11 mortos e várias pessoas desalojadas por causa da falta de planejamento urbano. A prefeitura já começou a realizar obras de contenção.

Nesses casos, o olhar do repórter precisa transportar o receptor da notícia até o local da tragédia. Entra em ação o olhar observador jornalístico. Qualquer informação pode ajudar a dimensionar os estragos: o que o barro engoliu, quantas caçambas de lama já foram recolhidas, a atenção dos moradores na previsão do tempo, a movimentação de quem passa pelo local…  Tomei a liberdade de gravar um pequeno vídeo mostrando um pouco como é a rotina de um repórter que pega uma pauta como essa e, claro, a realidade no local.

Em busca de um morador para servir de fonte, vi um carreto chegando com móveis. Dentro dele, estava uma mulher de mudança que não quis falar muito comigo por não concordar com a linha editorial do CORREIO (esse é assunto para outro dia inclusive). Muito apressada e nervosa, ela estava tirando os móveis da casa, onde estava em situação de risco, e levando para a de um amigo ou parente – ela deu as costas antes que eu perguntasse. Famílias de pelo menos três casas tiveram que fazer o mesmo hoje.

Trabalhar  na editoria de cidade é isso. Constantemente a prática jornalística tem colocado uma realidade muito dura na nossa frente. Seja cobrindo polícia e tendo que lidar com rispidez das fontes ou deixando a emoção de lado para falar com parentes de vítimas. Sobre aquela função de simplesmente “contar histórias” que eu falei aqui, hoje acredito que o jornalismo tem um papel social muito mais forte que isso.