Redação do jornal, manhã, quarta-feira (27). Cheguei um tanto quanto insegura porque era meu dia na editoria de economia e, sinceramente, a habilidade que tenho no assunto é a mesma que um canhoto tem de escrever com a mão direita. A editora de produção, Linda Bezerra; o editor do online, Wladmir Pinheiro e os chefes de reportagem, Perla Ribeiro e Jorge Gauthier estavam reunidos no centro da redação. Minha intenção era chegar sem ser notada, mas, de repente, escuto um “TAILANE” (em caixa alta porque foi um grito). Era Linda. “Esquece economia, você vai agora cobrir a coletiva da reabertura da Concha Acústica. Baby do Brasil vai estar lá e você tem obrigação de trazer um bom material pro online”, completou.
Ficou tudo lindo. Me livrei, por hora, da editoria de economia e, que sonho, ficaria sob o mesmo teto que Baby do Brasil por pelo menos uma hora. A coletiva estava marcada pra começar às 10h, chegamos antes disso – Eu, a repórter, Lara Bastos; e a fotógrafa, Marina Silva. Muitos jornalistas, aquele monte de fotógrafo, aquele monte de assessores e muito desespero sempre que lembrava que estava ali com a missão de conseguir, no mínimo, trocar duas palavras com Baby. Passada uma meia hora de angústia, eis que Baby surge aparentemente inacessível e meu desespero aumenta. Tremendo na base, cheguei a cumprimentá-la. Estava diante de uma cantora que marcou, junto com os Novos Baianos, boa fase da minha adolescência. Baby foi simpática e adiantou que só poderia conversar depois da coletiva. Tudo cá cá cá, na fé fé fé.
Todos os detalhes do festival de reabertura da Concha me deixaram muito feliz, exceto o fato de que Maria Bethânia vai cantar apenas para convidados. A coletiva estava perto do fim, bem como o tempo que eu tinha pra tentar me aproximar de Baby. Fim. Jornalistas e fotógrafos para todos os lados, artistas sendo conduzidos por seus assessores àqueles repórteres da tv e eu – futura – ignorada. Descobri que sou muito mais paciente e insistente do que supunha. Não sei se em algum momento achei que não conseguiria, entretanto, fiquei realmente muito surpresa quando um assessor (vacilo, mas não me atentei ao nome dele) da Secretária de Comunicação da Bahia me perguntou se eu era do Correio e se queria gravar com Baby. Respondi sim, com a cabeça, para as duas perguntas.
Abelha, carneirinho. Acabou chorare, no meio do mundo, respirei eu fundo. Na minha frente, Baby. O assessor da Secom perguntou se ela se importaria de gravar um vídeo pra mim e, sorrindo, disse que “adoraria”. Não bastasse o coração saltando do peito, restavam duas preocupações: meu cérebro não pifar e minhas mãos não tremerem. Me transformei num tripé humano em questão de segundos. Invadiu-me a casa, tomou meu coração e sentou na minha mão. A maneira como gesticulava e o brilho no olhar ao relembrar os momentos com os velhos baianos que serão sempre Novos foi algo que me marcou. Das maravilhas que só o jornalismo pode me proporcionar. Acabou chorare, ficou tudo lindo.
*Algumas frases do texto fazem referência à música Acabou Chorare, dos Novos Baianos.