Caso policial nosso de cada dia

Caso policial nosso de cada dia

Eu lembro com exatidão do momento em que Linda Bezerra, editora de produção,  olhou para mim rigidamente com óculos arriados e sobrancelhas suspensas: “tá pensando que o senhor veio pra cá só falar de maquiagem?”. Ela se referia ao meu blog, o Herdeira da Beleza. A questão foi pontuada logo após eu ter dito que não queria fazer jornalismo policial por não ter estômago para isso.
E não tenho. Ou pelo menos não tinha. Hoje eu tive que fazer a apuração do caso de um rapaz que foi assassinado na porta de casa, na minha cidade natal, a troca de uma mochila e um celular. Mais um crime em Santo Estevão que ganhou destaque na mídia baiana.

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Mesmo que ainda timidamente apresentada, pude conhecer a rotina da cobertura de um caso policial. “Ligue para a polícia central. Para a delegacia da cidade. Consiga o número de um vizinho. De um parente da vítima. Uma testemunha ocular. Do caralho a quatro”, dizia a repórter que estava me monitorando.

Hoje eu saí da minha zona de conforto. Mesmo. Coloquei a tecnicidade jornalística em pratica e deixei de lado toda minha emoção – ou pelo menos parte dela, visto que eu quase chorei entrevistando o cunhado da vítima totalmente abalado que presenciou toda a ação dos bandidos. A matéria foi a mais acessada do dia ao fim de meu plantão.
Sem desafio, não há evolução. Se eu cumpri com pelo menos metade do que me foi exigido, eu já sigo feliz. Quando Linda me disse que queria ver mais de mim, ela não estava brincando. Até agora eu fui um dos únicos integrantes do programa a não ficar no caderno Bazar, o caderno de moda e cultura do CORREIO.

Sobre o rapaz assassinado, que Deus conforte a dor da família. Sobre o jornalismo policial, que haja mais humanidade. Sobre minha rotina na redação, que eu consiga terminar meu TCC.