Jornalismo abelha e o desapegar de pautas

Em uma colmeia, a vida das abelhas é bastante organizada. Com funções determinadas, há espaço certo para as operárias, os zangões e, do alto do seu trono, a rainha. Atrevo-me, respeitando os limites da biologia, numa analogia, comparar a redação com uma colmeia. O motivo disso é que uma das principais observações que tenho feito durante a imersão é a clara organização e hierarquização dos atores que produzem as notícias – os produtores, repórteres, colunistas, fotógrafos, motoristas e etc., não necessariamente nessa ordem. Aqui me atento aos trabalhos das abelhas operárias, ou melhor, dos repórteres.

reprodução internet

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Se na vida de bzzz bzzz, as operárias têm a função, dentro de tantas outras, de coletar o néctar das flores, no jornal o repórter se desdobra entre a redação e a rua, conversando com as fontes, seja no tête-à-tête de uma entrevista, nas coletivas, por email ou telefone para escrever suas matérias, conhecido no jargão jornalístico como “bater o texto”, e/ou repassar informações para outros jornalistas lançarem na versão online – quando não é o próprio repórter quem faz isso.

Nesse processo, pude reparar em uma questão: nem sempre o jornalista fica com uma pauta exclusivamente para ele durante todo o dia. Vale destacar que nesse caso me refiro à editoria de cidade, dotada de um comportamento peculiar. Na segunda (25), por exemplo, acompanhei as atividades do Diogo Costa, ex-futuro e atual estagiário do CORREIO. O ajudei a atualizar matérias publicadas no Correio24horas e checar dados com fontes para outras notícias. Produzi também uma nota, sob sua supervisão, para o impresso com dados que já haviam sido publicados, mas que passaram por uma atualização. Todo o trabalho do Diogo nesse dia partiu de pautas já iniciadas por outros repórteres.

Assim pude reafirmar algo que já havia sido dito na etapa das palestras: o jornalista precisa estar atento a toda produção do jornal. Isso porque algo que foi publicado por outra pessoa pode ficar sob sua responsabilidade. Assim, uma notícia pode ser realizada por várias mãos restando no final uma unidade para ser noticiada.