Os primeiros passos foram tímidos. A sensação de estar imersa na redação me remeteu àquela fase, tão importante, em que os bebês começam a engatinhar e, a partir daí, descobrir as coisas. A imersão começou na segunda-feira, 18. Cheguei à redação às 7h, cheia de ansiedade e insegurança. Em cinco minutos, a chefe de reportagem, Perla Ribeiro, me passou a pauta e a liberação do carro que nos levaria à cobertura do primeiro dia de vacinação contra a H1N1. Saí acompanhada do repórter, Alexandro Mota; do fotógrafo, Mauro Akin Nassor e do, não menos importante, motorista – Milton, o malhado.
Chegamos ao primeiro posto de saúde, dos cinco que percorremos, e a insegurança que me assombrou por tantos dias evaporou no tempo ridículo do piscar dos olhos – bastou perguntar o nome do primeiro personagem. Entrevistei, observei a maneira como Alexandro entrevistava e percebi como Mauro ficava atento às pessoas com as quais trocávamos (eu e Alexandro) qualquer palavrinha, sem falar na preocupação do Milton em nos conduzir da maneira mais rápida (ao som de Maria Bethânia). Foi bom me sentir parte daquilo e constatar a eficiência do coletivo.
No segundo dia fiquei com a repórter Thaís Borges, na redação, cuidando de uma matéria especial. Confesso que ainda estava sob o feeling da rua. Aí veio o desafio de descobrir como eu poderia ser útil naquele caso. Foi legal correr atrás de informações, contatos e entender melhor como funciona, na prática, a apuração de dentro da redação. Contribuí menos do que gostaria, mas quero registrar a simpatia de Thaís.
Quarta-feira, 20, cheguei às 8h03min e entendi o que a editora de produção do Correio*, Linda Bezerra, quis dizer quando sugeriu a importância de chegarmos, pontualmente, no horário do repórter. Por três minutos de atraso quase perdi a cobertura de um assassinato. “Corre lá embaixo, Lara já desceu”, disse Perla, se referindo à repórter estagiária Lara Bastos. Eu e Lara chegamos ao local onde um policial havia sido assassinado na noite anterior. A primeira coisa que pude notar é a diferença na vibe de um caso de polícia; desde a maneira como devemos nos aproximar das pessoas à atenção redobrada aos detalhes expostos na cena do crime, para que nada escape aos nossos olhos – e, consequentemente, aos olhos de nossos leitores.
Manchas de sangue, marcas de tiro e lágrimas nos olhos. A cena de um crime é marcante por diversos aspectos; mas eu destaco a dor de uma família a ter que lidar todos os dias, dali em diante, com aquela realidade que quase bate na porta. Ser repórter de um caso policial não é só estar ali, colher informações e passá-las adiante. É ser sensível o suficiente para saber lidar com a dor do outro.
Embora engatinhando, a primeira semana de imersão me ajudou a decidir o que eu quero daqui pra frente. Eu escolhi a rua, sob sol ou chuva. Eu quero o contato com lugares, pessoas, medos, descobertas e desafios, ainda que a passos curtos. A jornada começou, temos submúltiplos de metros suficientes para uma vida inteira, vamos caminhar.