“Onde há morte, há jornalistas” (Nelson Traquina, 2005, p.79).
Qualquer estudante de jornalismo aprende, ainda no início do curso, que as notícias relacionas a morte despertam interesse fundamental para o público e, consequentemente, para o fazer jornalístico. Começo meu post com essa abordagem por conta do meu terceiro dia de imersão, a minha primeira cobertura policial.
Na tarde da última quarta-feira (20), cheguei na redação às 14:15h. Linda, a editora de produção, me recebeu dizendo: “Hoje você vai acompanhar Diogo Costa, repórter do Correio*, na cobertura do enterro do policial que foi assassinado na terça-feira (19)”.
O repórter só iria chegar às 16 horas, no intervalo desse período, li todos os conteúdos relacionados ao caso. Confesso que nesse meio tempo também fiquei me preparando psicologicamente para cobrir essa matéria, pois apesar de gostar da editoria de cidade, a ideia de ir para um cemitério me deixou tensa.
Quando Diogo chegou, seguimos para o cemitério Bosque da Paz, em Nova Brasília. No caminho, perguntei ao jornalista sobre sua abordagem em relação às fontes nesses casos: “São situações difíceis. Mas sempre procuro agir com ética, quando a fonte não quer falar, não insisto”, respondeu.
Diogo Costa, repórter do Correio *
O ENTERRO
O dia nublado parecia se adequar ao cenário triste. Naquele momento, eu estava ali apenas como jornalista e teria que contar aquela história: a história do policial Elias de Santana Souza, mais uma vítima morta durante uma tentativa de assalto. Elias deixa, aos 47 anos, quatro filhos, 600 irmãos de criação e a Policia Militar de Salvador abalada.
Quando chegamos ao Bosque da Paz amigos, familiares e colegas de trabalho prestavam homenagens a vítima. No túmulo, enquanto uns tocavam trombetas, outros clamavam por justiça e segurança.
Como o tempo estava corrido, Diogo permitiu que eu e Maria fizéssemos perguntas as fontes. Pude então conversar com o irmão de criação do PM, o professor Erasmo Correia, que comentou sobre o sonho do irmão em ser policial. “Dá Carlos Gomes a Federação, todo mundo conhecia Elias. Ele foi criado na obra social Mansão do Caminho e estudou muito para seguir na carreira policial”.
Ouvir os relatos das pessoas próximas da vítima foi o exercício mais desafiador que já tive enquanto jornalista. Esse foi o primeiro de muitos, outros desafios virão.