Relógios diferentes

O primeiro dia de imersão na redação do Correio* me trouxe uma perspectiva diferente do que eu já tinha experimentado no jornalismo. Acostumada com a rotina de trabalho intensa de portais online, me deparei na segunda-feira, 18, com outro tempo de apuração e outras preocupações na hora de escrever a matéria.

Enquanto no site o repórter precisa correr contra o tempo (e a favor da qualidade, sempre), no impresso é possível entrevistar mais pessoas e se aprofundar no assunto em questão. O espaço ilimitado da plataforma digital versus o tamanho arbitrário do impresso também influencia diretamente no texto. Na mesma tarde tive a experiência de cortar um texto e, depois, ter que escrever além do necessário para que o tamanho da matéria se adequasse ao espaço disponível na página. Para o impresso, é imprescindível, ainda, a figura do diagramador que determina, junto com o repórter, o tamanho das imagens, das falas e números que terão destaque.

Diante da necessidade de mudança no ramo jornalístico e das crises financeiras pelas quais os meios de comunicação estão passando, acredito que seja preciso repensar o modo dispendioso da produção impressa. Não que devamos abandonar os textos mais elaborados, mas não sei se os veículos terão como manter o mesmo número de pessoas na redação por muito tempo. Quem sabe não possamos unir a rapidez do repórter de portal com a apuração do repórter de jornal?!

Enquanto não chegamos a uma fórmula, cada meio continua suas especificidades. E isso torna o campo de atuação do jornalismo ainda mais amplo. O profissional pode escolher, além da editoria que mais gosta, o veículo que mais combina com seu ritmo de trabalho. Ainda estou à procura do meu e espero que a passagem pelo Correio* me ajude a descobrir.

Até! Com mais perguntas..