Em meio ao frenesi político atual, e à sua polarização, eis que o jornalismo político vive um momento histórico e um tanto quanto excitante. O jornalismo, de maneira geral, tem o papel de informar com imparcialidade mas – até onde, de fato – dá para ser imparcial?
O jornalista político tem ideologia? Quais são os limites da exposição dessas ideologias?
Antes de mais nada, é necessário deixar claro que o bom jornalismo deve buscar prestar contas ao cidadão. Prestar contas implica em apurar as informações, buscar as fontes e duvidar delas. Num mundo globalizado, onde toda e qualquer informação é disseminada por meio da internet, em inúmeras redes sociais, o jornalista tem o papel determinante de fazer cair as máscaras e desvendar a verdade – seja lá o que ela venha a trazer à tiracolo.
Enquanto jornalistas, aprendemos a flertar com a imparcialidade (e isso nunca vai virar namoro), ou seja, refletir a realidade sem interferir nela. Um jornalista, antes de mais nada, exerce seu interior, pratica a ideologia que lhe compõe e vive a cultura que é determinante em sua formação como pessoa – o que, ainda que involuntariamente, vai ter influência sobre o texto que escreve.
Em conversa com o editor de economia e política do Correio*, Donaldson Gomes, a turma 10 do Correio de Futuro pôde entender um pouquinho melhor sobre esse universo pouco explorado na academia. “Política é a ciência que trata da gestão do capital público, então deve ser bem praticado”, disse. Donaldson deu exemplos e relacionou o que ele chama de “jornalismo de declaração”, aquele que faz qualquer aspas virar manchete, e o “jornalismo consistente” – que implica na busca por informações e apuração, acima de tudo.
Foi possível observar, a cada declaração do jornalista, que fazer política tem mais a ver com profissionalismo e caráter do que com imparcialidade. Você pode transmitir a informação com transparência sem precisar se transformar num homicida em potencial e a receita é simples: duas doses de caráter, uma de escrúpulos, três colheres de verdade – a vaidade, os interesses próprios e desejos que só vão satisfazer a você mesmo podem estragar a receita.