No ciclo de palestras para a 10ª turma de Futuros há sempre uma unanimidade nas falas dos palestrantes: o jornalista precisa conhecer a cidade em que trabalha. Não apenas como profissional, mas, também, como um morador dela. A cidade, muitas vezes, se pauta e é justamente a nossa sensibilidade enquanto jornalistas que transforma o assunto em notícia.
Ontem, 11, Welter Arduini, responsável pela logística e circulação do Correio*, reforçou em nós a necessidade de conhecer Salvador e nos mostrou como o conhecimento da cidade influencia diretamente na boa atuação do setor que gerencia. Para Welter, “o jornal tem que ser o espelho da comunidade”. E foi partindo desse pressuposto que o Correio*, no final de 2008, ano da sua reformulação editorial, adotou “O que a Bahia quer saber” como premissa para se tornar líder de mercado. Já em 2012, a mudança gráfica possibilitou um folhear diferente e mais rápido das notícias para os baianos.
A mágica de produzir um jornal durante a madrugada e entrega-lo em pontos distintos no início da manhã só é possível por conta de um emaranhado de gente que aceitou o desafio de conhecer e viver a cidade. Desde o seu João, o jornaleiro da esquina, até o próprio Welter, há ferramentas que indicam casos que poderiam atrasar a entrega do periódico como, por exemplo, engarrafamentos, pontos de pedágio, acidentes, eventos em ocasiões específicas e tantos outros. Assim, usando as vivências de cada um no relacionamento com Salvador, as divergências são contornadas. Nesse sentido o conhecimento técnico da equipe de circulação e logística do Correio* em junção com a sagacidade do João, o jornaleiro, se entendem e fazem com que a engrenagem gire.
Nossos contextos só são retratados de fato quando o jornalista tem conhecimento mais profundo de onde está falando. As técnicas que aprendemos para a apuração de uma notícia são extremamente válidas, mas corre-se o risco de produzirmos um texto engessado. Exercer a sensibilidade do olhar no cotidiano cria possibilidades para além do lead convencional. Isso faz com que o leitor fique aguçado para a nossa próxima escrita. Creio que a fidelidade de uma comunidade para com um determinado veículo de comunicação permeia a identificação da mesma com o que é retratado.