Contadores de história

Luiz Villaça apresentava no filme “O Contador de Histórias” (2009) o drama de uma mãe pobre que viu na educação a oportunidade de tirar seu filho caçula da miséria. Caso você não tenha assisto o filme, a mãe em questão foi seduzida por uma propaganda do governo na amarga década de 60 e abandonou seu filho na antiga FEBEM. O que a obra apresenta nada mais é do que a história de milhões de brasileiros que são apagados pela elite política e impedidos de acessar lugares de respaldo social.

Hoje onde seria a Fundação Casa, a realidade de ter sido deixado pela sua mãe dá lugar a uma fantasiosa história de como o garoto teria chegado até aquele local. A mente fértil do rapaz leva o espectador a uma história muito mais empolgante e com um desenrolar bem construído. Assim como deve ser no jornalismo.

E esse foi um dos assuntos na primeira semana de nosso treinamento. Na palestra com a jornalista Linda Bezerra, ela nos diz que a história no jornalismo precisa ser contada de maneira atrativa, que seja capaz de fisgar e prender o leitor. Sem interesse, foco, impacto e amplitude não há uma boa matéria.

Linda ainda afirma que, para o jornalismo contar uma boa história, é preciso pautar, apurar e escrever bem. Sobre pautar, sempre há várias maneiras de contar a mesma história, concorda? Assim como a mente do garoto no filme, o papel do jornalista é encontrar a maneira mais interessante para abordar os fatos. Às vezes o papel do pauteiro é tão importante para a construção de uma boa reportagem, que a distinção entre os profissionais vai ser os diferentes olhares sobre o mesmo aspecto.

Já sobre apuração, a necessidade de confirmar a veracidade dos fatos pode credibilizar o profissional na hora de subir uma matéria pro site ou colocar o jornal na rua, por exemplo. “Apuração é duvidar das coisas”, diz Linda sobre a curiosidade do repórter em colher a informação para a construção do texto.

Texto esse que precisa ser bem escrito e de fácil entendimento. Leitura rebuscada e acadêmica não é para jornal! Mas isso não significa que precisamos escrever mal. Pelo contrário. Um texto rico em vocabulário, parágrafos bem amarrados e cheios de informação é imprescindível.

Não ganha quem contar a melhor história. Ganha a história melhor contada.