O editor-chefe do jornal Correio*, Oscar Valporto, abriu os trabalhos do Programa Correio de Futuro na sexta-feira, 1º de abril. Da conversa, de tom predominantemente pessoal, o jornalista resumiu para os futuros sua trajetória na profissão, do Rio de Janeiro a Salvador, quando foi um dos responsáveis pela mudança ocorrida no jornal baiano em 2008.
Os resultados da repaginação foram muito positivos para a empresa, dando mais credibilidade ao periódico. Porém, foram criadas lacunas de silêncio quando o assunto é política. O motivo todo mundo já conhece: a família Magalhães, atual governo, é acionista do Correio*.
Chegamos, então, ao que me proponho discutir no texto: o conflito entre os valores jornalísticos e os interesses empresarias dentro de um meio de comunicação.
Não dá pra fugir. Se você, leitor, é jornalista ou estudante e trabalhou no mercado de trabalho, já deve ter se questionado, como eu, se está certo que uma decisão tomada visando a receita da empresa interfira no produto jornalístico.
Particularmente, gosto de me desafiar na hora de escrever uma matéria. Acredito que é em situações onde os fatos vão de encontro às nossas ideologias pessoais que exercitamos melhor nossas habilidades como profissionais de comunicação, testando ao máximo nossa imparcialidade (guia para o trabalho jornalístico).
O jornalista cede às pressões da área comercial e administrativa, ao mesmo tempo que impõe quais são os limites para não se perder de vista a qualidade do produto que será entregue nas bancas. Nesse verdadeiro “jogo de cintura”, onde não há vencedor, é necessária, pelo menos, uma regra: o respeito ao leitor.
Eis um exemplo:

Em 19 de março de 2016, um dia após manifestações contra impeachment ocorrerem em diversas cidades do Brasil, reunindo 150 mil pessoas apenas em Salvador, a capa do jornal Correio* não dá um “ai” sobre o ato público.
No mesmo dia, a postura do jornal é criticada nas redes sociais. Será que essa ação não teve relevância suficiente para estar na capa ou não era interessante para os acionistas terem esse conteúdo exposto de tal maneira?
Não é incomum que, diariamente, jornalistas e meios de comunicação sejam bombardeados por críticas sobre os mais diversos aspectos. Claro, é da crítica que se cresce, mas já experimentou se colocar no contexto onde o outro está inserido? E se fosse você a fechar a capa dessa edição, teria, realmente, como ter feito diferente?