O jornalismo de hoje será o mesmo que será feito nos próximos dez anos? Esta é uma pergunta que circula pelos corredores das redações, universidades, grupos de jornalistas na internet e nas discussões entre nós, Futuros.
Outra questão é se o jornal impresso diário, que data desde o século 18, deixará de existir em função das novas (e não tão novas) formas de obter informação com rapidez e credibilidade. O jornalismo vive um momento de transição para algo que não se conhece e nem se sabe muito bem.
Eu que consumo informação todos os dias, basicamente pelos dispositivos móveis, volta e meia me pergunto quando foi a última vez em que fui à banca de jornal para comprá-lo. O curioso é que outros jovens e adolescentes cresceram e crescem sem nunca ter seguido tal rito. Mas, a ausência nas bancas não significa desinteresse e baixo consumo de informação.
Ao contrário, os leitores mais novos estão acostumados com o volume alto de informações e vivem da rapidez, em um ambiente convergente. O link clicado pela rede social é copiado e compartilhado em aplicativos de mensagens instantâneas, que, por sua vez, gera repercussões e acaba retornando a rede social. Como pensar então que o jornalismo pode estar perto do fim, se cada vez mais as pessoas acessam notícias e repercutem elas entre os seus ciclos sociais?
A questão é que para produzir informação há um custo. A difusão e circulação na rede, no entanto, se vê diante de um leitor desacostumado a pagar por informação, já que a filosofia da internet é a do compartilhamento gratuito e livre para todos. Como pensar em jornal impresso e no próprio jornalismo diante de novos perfis de leitores e custos para manutenção dos produtos de qualidade e relevância?
Em um mundo de leitores que interage e vê o mundo por telas, comprar informação de um jornal impresso é um hábito da minoria. Assim, o desafio será (e já é) em como se manter vivo e como negócio rentável. Ao mesmo tempo, é necessário repensar as suas próprias práticas de formatos de produção. O leitor já não se contenta com o texto e imagem estática há um tempo.
Para os Futuros que irão construir os próximos dez anos, a crise e incerteza da existência do jornal impresso é também a oportunidade do jornalismo se reinventar e firmar sua importância nas sociedades democráticas de mercado.
Se há uma certeza, nesse horizonte de mudanças emergindo o tempo inteiro, é que a imprensa continuará a ser uma instituição. Em uma democracia, uma instituição que seja norteada pelo interesse público é uma necessidade que, se extinta, dificilmente não causará impactos.