“O que vamos fazer hoje à noite?”

“O que vamos fazer hoje à noite?”

Foto: Luana Ribeiro

“A mesma coisa que fazemos todas as noites, Pinky…Tentar dominar o mundo!”

Após a publicação do jornal, a equipe de Mercado Leitor e Logística do CORREIO se encarrega de pesquisar os assuntos que mais emplacaram no dia, o que além de render suítes, mede como anda em geral a recepção dos leitores. Ao contrário dos desastrados Pinky e Cérebro, do desenho animado de mesmo nome, o CORREIO tem sido bem-sucedido em seus planos.

“A Bahia é o Universo, né?”, provoca o paulistano Welter Arduini, sobre a tendência do povo baiano de ser meio auto-centrado. Brincadeiras à parte, este é o mundo a ser conquistado pelo jornal. O setor coordenado por Arduini tem dado base para o bom posicionamento de mercado do CORREIO, que atualmente é o líder em circulação no estado.

Chegar até aí não é fácil. Uma das barreiras que Arduini levantou foi o conhecimento do leitor. Mais do que isso, saber quem é este leitor e, a partir disso, definir as melhores estratégias para chegar até ele e conseguir fidelizá-lo. Deste raciocínio, surgiu por exemplo a opção de duas capas, uma para os assinantes e outra para venda avulsa. Alguém adivinha qual a capa mais hard news?

A variação das capas demonstra também a ambição do CORREIO em alcançar uma boa parcela da população, e não apenas a classe C e E, como muitas pessoas ainda acreditam. Existem três categorias para os jornais impressos: os premium, na qual se enquadram os medalhões Folha e Estadão; os populares, como Extra e Meia Hora e os posicionados, que são intermediários entre as anteriores. É o caso do CORREIO.

Nesta classificação, porém, não está embutido necessariamente juízo de valor. Os populares, em geral apoiados no tripé “futebol, crime e mulher” podem servir como porta inaugural para uma certa parcela do público. “Jornais como esses iniciam leitores”, pontua Arduini, lembrando ainda que ler é um hábito e, como tal, deve ser exercitado. Neste quesito, Salvador está na contramão das tendências mundiais, que já fazem a transição do impresso para o digital – aqui, uma parte da população inicia agora o costume de ler jornal e isso, além de muito positivo, é uma boa oportunidade de negócio para o mercado editorial.

Foto: Luana Ribeiro

Para atrair este nicho, a distribuição é feita considerando as características de cada lugar. No Nordeste de Amaralina, por exemplo, a cor da associação de moradores do bairro foi parar na camisa dos gazeteiros – que são mão de obra local. Além disso, foram elaborados produtos especiais como o Guia do Ba-Vi, que unem a ação promocional com conteúdo produzido pela redação, ou ainda as edições extras – únicas no Brasil – de 8 páginas e no valor de R$0,25, publicadas no final dos jogos da Copa 2010. São iniciativas audaciosas e que trazem um custo de produção, mas ambição é o que não falta ao CORREIO. “A gente é bem pretensioso. Tem uma preocupação de não dar tiro n’água”, afirma Arduini. Qual será o próximo plano para “dominar o mundo”?