O papel da fotografia enquanto instrumento artístico de expressão já é compreendido há muito. Na imprensa, no entanto, ela vem buscando sair do lugar de mera ilustração para ter reconhecida a sua função informativa, expressiva e simbólica. Na produção do fotojornalismo são levadas em conta três aspectos: sujeito, ambiente e circunstância.
Esses aspectos devem estar contidos na pauta. Porém, Márcio Costa e Silva, editor de fotografia do CORREIO, reconhece que muitos profissionais não entendem o que realmente é uma pauta fotográfica. Acreditam que devem dar dicas de como fotografar (Exemplo: “Quero uma foto de baixo para cima de fulano”. Ou: “Posicione a pessoa em primeiro plano e desfoca o fundo”). Quando, na verdade, o importante são as informações que vão auxiliar na hora de produzir a foto. Pensar em como fotografar é papel do repórter fotográfico e não do pauteiro. Uma boa pauta, dentre outras coisas, deve procurar explicar:
Além disso, estar sempre bem informado, ler jornais e revistas reflete no trabalho do repórter fotográfico. Isso porque a interação que o fotógrafo mantém com as informações que possui no seu repertório expande as possibilidades de criação e agrega valor informativo à sua imagem. Compreender o processo pelo qual passava o governo de Jânio Quadros, por exemplo, foi importante para resultar nessa foto. Seja isso consciente ou inconsciente óptico.
O dedo do fotógrafo
Nas palavras de Márcio Costa e Silva: “A presença da câmera já interfere no processo”. Quando alguém chega com uma máquina na mão, as pessoas ajustam a postura, policiam seu comportamento e a cena já não é mais a mesma. Por isso, a visão de que para o clique ter credibilidade o fotógrafo não pode interferir, é ingênua. O dedo do profissional de fotojornalismo não precisa servir apenas para apertar o botão. Ele também pode ser papel importante na construção do que será fotografado. É claro que esse arranjo visual, proporcionado pela direção do fotojornalista, requer cuidados éticos. No caso do CORREIO, esse limite ético não é determinado por Márcio porque ele acredita que esse processo é pessoal e depende da sensibilidade e da percepção de cada profissional.

Além disso, há pautas e pautas. Existem aquelas em que se pode explorar mais a cena da forma que o fotógrafo imagina e aquelas em que pouco ou nada se pode interferir e deve-se trabalhar com os instantes decisivos. Márcio diferenciou, nesse sentido, pautas de personagem e de esporte. Com o personagem, na maioria das vezes, o repórter fotográfico tem tempo e liberdade de criação. Pode – entre diversas opções – sugerir poses, expressões e trabalhar a luz de forma que ela seja um elemento forte de linguagem. Já o esporte não há como entrar em campo e pedir para o jogador chutar a bola novamente. Nesse caso é treinar o olhar para os momentos importantes e contar com a sorte. O mesmo vale para o teatro, ilustrado na foto ao lado.