Como falei no post anterior, essa semana foi agitadíssima, com um tour pelas editorias do CORREIO. Interessante verificar que, apesar de cada uma ter demandas específicas, existem alguns alertas que se repetem sempre. Vamos lá.
*Bazar
O suplemento Bazar&Cia oferece um colorido a mais para quem compra o jornal no domingo. “O Bazar é um caderno muito plástico”, afirma a editora Gabriela Cruz. Nem precisava avisar. Qualquer um que folheie suas páginas pode ver a ênfase nas fotos como elementos que, além de agradarem aos olhos, também trazem informação; sobretudo se considerarmos os temas abordados no caderno: moda, decoração, turismo, gastronomia, design e comportamento.
Com esta gama de assuntos, a equipe é mais especializada. A fotógrafa Angeluci Figueiredo trabalha exclusivamente para o Bazar – muitos dos editoriais são feitos em seu estúdio. Neste quesito, Mariana Caldas traz sua sua bagagem de produtora de moda. A equipe ainda tem a editora Paula Magalhães (que assina a coluna Vixe!, além de apresentar um quadro sobre moda no Mosaico Baiano, na TV Bahia), a subeditora Lívia Cabral, o repórter Ronney Argolo, e colunistas que colaboram semanal ou quinzenalmente.
Por exigir produção, planejamento e pesquisa são essenciais no cotidiano do Bazar. As pautas são definidas para o mês, o que não impede que possam haver mudanças ao longo do tempo. Outra tarefa que exige grande atenção são as coberturas de desfiles como o São Paulo Fashion Week. Glamour? NÃO! Narrando dificuldades que vão desde encontrar tomada para notebook, lutar por garantir os lugares na plateia – que mesmo marcados, podem ser roubados por alguém – além da programação intensa que vai da manhã até à noite, Gabriela Cruz tirou qualquer resquício de preconceito com jornalistas de moda e afins. Quando estiver lendo a ampla cobertura de hoje sobre o Yatch Summer Fashion (cinco páginas, com a capa), lembre-se que o pessoal realmente trabalha!
*Vida
“Muita gente acha que é menos trabalho”. Isto posto, o editor Hagamenon Brito já começou a apresentação da sua editoria deixando claro que não é bem assim e recomenda aos que pensam assim procurar outra freguesia. Melhor acatar este conselho, afinal ele vem de quem entende. Hagamenon, além de toda sua experiência no jornalismo cultural, colaborando inclusive para a clássica revista BIZZ, fez história ao criar o termo “axé music” – que a despeito do sucesso que o gênero obteve, surgiu inicialmente para criticar. “No início não gostava não, mas hoje não me incomoda”, diz, se referindo à costumeira associação de seu nome ao nome do ritmo. O que importa é que hoje, em dicionários de música, consta como criador da denominação. Críticas ou elogios à parte, é uma honra: Hagamenon acabou deixando sua marca na música popular brasileira.
Por essas e outras, a ausência de preconceitos foi apontada por ele como item importante para trabalhar em jornalismo cultural, para não cair no erro de criticar com base no “gostei ou não gostei”. Crítica tem que ser bem fundamentada, seja negativa ou positiva – ou seja, outro requisito da área é bagagem cultural. Quanto mais extensa e variada, melhor.“Vamos de Paul Auster a A Bronkka”, ri Hagamenon.
Por fim, outro destaque na discussão foi a questão ética. Ele defende bom senso (e bom gosto) no exercício da crítica. Um exemplo foi a polêmica do namoro dos cantores Marcelo Camelo e Mallu Magalhães, que para ele jamais poderia ser mencionada em uma crítica do novo cd dela, o Pitanga. Neste sentido, é taxativo: não admite crítica pessoal. Amores, amores; show business à parte.