A Editoria de Arte do CORREIO é composta por nove designers que trabalham com a diagramação, infografia e ilustração do jornal. Quem conversou com os Jornalistas de Futuro foi Morgana Lima. Ela é a responsável pelas capas, mas não se limita apenas a esta função, também cria infográficos, páginas diferenciadas, e colabora com a parte gráfica do suplemento Bazar&Cia. Para Morgana, o segredo de um jornal é uma capa atrativa e um recheio com conteúdo de qualidade.
Além do talento e da criatividade, um fator determinante no processo de uma capa é o tempo de criação. Apesar de ser o último detalhe a ser fechado no dia, imagine que você tem algumas poucas horas para deixar a capa do que jeito que viu aí em cima: interessante, relevante, atual e criativa. Todos da redação também sabem que as atividades devem ser priorizadas pelas notícias do dia e, muitas vezes, a elaboração de uma arte, ou uma investigação política, ou uma notícia fria, fica para depois.
O que não pode ficar pra depois são os acontecimentos bombásticos e pior é quando ocorre alguma tragédia ou um fato de extrema relevância lá pelas tantas, como foi o caso da morte de Steve Jobs, e a editoria de arte tem que se virar nos 30 para alterar tudo e muitas vezes produzir uma nova capa. Uma redação sabe que a qualquer momento tudo pode dar uma reviravolta.
A depender do dia, se tem alguma notícia ou fotografia com muita relevância, o processo de uma capa pode começar logo no início da tarde. Mas geralmente as escolhas de manchete, fotografia e chamadas são determinadas na reunião de fechamento, às 17h. Mas e quando o dia não rende uma capa? O jeito é fazer uma capa morninha, sem muito mistério. “Sempre que a gente tem uma foto muito boa, tenha certeza que ela vai ser capa”, conta Morgana Lima. Tem dias que os editores têm uma variedade de fotografias para escolher, mas tem outros que o jeito é esperar uma notícia surpresa, daquelas que o jornal fervilha. Mesmo que essa notícia surpresa não seja das boas. E se a capa é como a embalagem de um produto, os jornalistas sabem exatamente a dimensão e o impacto de uma boa capa.
São sete fotógrafos na redação, com uma média de duas pautas por dia, no máximo. Esse número é pequeno em relação aos três milhões de habitantes em Salvador, e embora fique mais corrido, os sete fotógrafos conseguem dar conta, principalmente por causa do número reduzido de pautas para cada um. Márcio Costa, o editor de fotografia do CORREIO, acredita que sem pressa o resultado sai muito mais rico e por isso decidiram que os fotógrafos deveriam limitar o número de pautas.
Uma das principais características do CORREIO, depois da sua reformulação, é a identidade visual. Contudo, é fato que existe uma sutil tensão entre os repórteres e os fotógrafos na maioria das redações. Muitas vezes o repórter acha que tem direito a interferir na atividade fotográfica e não é bem assim que a banda toca. O fotógrafo é um repórter atento aos detalhes visuais de um fato.
Para uma matéria ficar harmonizada, o jornalista deve passar as informações ao fotógrafo para que ele construa suas imagens. Existe o olhar de cada um, daquele que produziu o texto e daquele que fez as fotos. Entretanto, é comum ver repórteres determinando como querem as fotografias, sem ao menos dar as devidas informações ao repórter fotográfico. A verdade é que o ideal seria um por todos e todos pelo bem da matéria.
Todas as imagens foram retiradas do Flickr de Morgana Lima.