Por incrível que pareça, na quarta-feira, 25, Eduardo Rocha experimentou ser um jogador de futebol. Acostumado a disputar com dezenas de jornalistas entrevistas de atletas durante coletiva de imprensa, dessa vez o editor de Esportes do CORREIO teve “que se virar” sozinho com os dez jornalistas de futuro, que fizeram as mais variadas perguntas e estavam dispostos a não deixar que uma “vírgula” ficasse sem explicação.
Talvez intimidado com a grande quantidade de olhos em sua volta, ao sentar-se diante dos entrevistadores e perceber o tamanho do problema que tinha encontrado, a primeira frase de Rocha foi: “Eu sou quase um jornalista de futuro como vocês. Sou o mais novo editor do CORREIO”. No entanto, em seguida, o editor-executivo Oscar Valporto fez um questionamento irônico a respeito dessa tal juventude do líder da editoria de Esportes, e acabou fazendo com que ele se soltasse e começasse a falar sobre a sua carreira.
Formado pela Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia, Eduardo Rocha trabalhou no A Tarde Online, TV Aratu e TV Bandeirantes antes de ser contratado como repórter de Esportes pelo CORREIO. Em 2010, quando assumiu a função de editor, passou a liderar uma equipe com média de idade de 25 anos.
Ao contrário do pensamento de muitos, trabalhar com esportes não é nada fácil. Eduardo Rocha foi logo “tirando o cavalinho da chuva” de quem pensava que a produção era rápida e simples. “Não escolham [seguir nessa editoria] se não gostarem de esportes. Nós somos a editoria que mais trabalha em finais de semana no jornal. Não tem discussão quanto a isso. Nós que fechamos o jornal. É pra quem gosta mesmo”. Segundo ele, o seu trabalho possui uma rotina diferente do restante da redação, que é um pouco mais planejada e pode contar com mais matérias de gaveta.
Visando sair um pouco do comum, hoje, além do texto pessoal, resolvi acrescentar a entrevista dos jornalistas de futuro com Eduardo Rocha. É bom para exercitar nosso trabalho “ping-pong”. É válido ressaltar que nem todas as perguntas estão presentes no documento devido a problemas tecnológicos (gravador quebrou), de velocidade na escrita e de memória.
Abaixo a entrevista com o editor de Esportes do CORREIO.
[Ruan Melo] O jornalista fica totalmente isento durante a produção da matéria sobre o seu clube de coração?
Eduardo Rocha – É difícil dividir paixão. É claro que vai entrar um pouco de paixão. Mas também é claro que eu como editor também vou puxar o freio, até porque na redação tem torcedor do Bahia, do Vitória, do Barcelona. Também não dá pra impor uma regra para uma coisa que a gente não está ali. Se você vai pra rua e traz uma notícia pra mim eu não vou dizer que não é. Eu vou perguntar para você se é isso mesmo, se tem certeza. Tem diálogo. Eu sempre digo a eles [repórteres] que é o seu nome que está escrito em cima. E o torcedor assistiu ao jogo que você viu. Se você colocou uma coisa que não aconteceu pode ter certeza que ele [torcedor] vai mandar e-mail, vai ligar, reclamar. Todo texto tem paixão, não é só o do Esporte. Cabe ao editor dosar.
[Carol Gomes] A gente percebe que o CORREIO traz muitas matérias sobre futebol, como ficam os outros esportes?
Eduardo Rocha – O nosso jornal prima muito por futebol por uma série de fatores. O principal é que o pessoal gosta muito de futebol. É o esporte mais valorizado que temos. Com relação aos outros, tem uma série de complicações que vão desde você encontrar fontes para falar, personagens. Você também não consegue o resultado dos eventos. É uma série de dificuldades. Mas a gente tem espaço para outros esportes sim. Fizemos matéria sobre MMA, um caderno sobre corrida…
[Dimas Novais] A linguagem de esportes é mais ligada a jargões populares, isso é proposital?
Eduardo Rocha – Essa linguagem traz uma proximidade. O cara olha aquilo e se vê ali. A gente está na mesa do bar, e não fala bonito quando está discutindo futebol. Nós xingamos, discutimos mesmo. Quando conversamos com os jogadores eles falam assim. É uma tentativa de aproximar o público da realidade.
[Ruan Melo] Em algumas matérias do CORREIO os próprios jornalistas comentam o desempenho dos jogadores. Você acredita que isso seja um diferencial?
Eduardo Rocha – A ideia do CORREIO é trabalhar com uma coisa que vai além da notícia. Se a gente trabalhar meramente com o fato, acho que fica difícil você se interessar. Os comentários sobre as atuações são uma forma de dizer qual é a nossa impressão sobre o jogo.
[Marilúcia Leal] Você acha que dá para conquistar mais o público feminino?
Eduardo Rocha – Sim! Eu não gosto de dizer que as mulheres gostam menos de futebol que os homens. Mas o público masculino é doutrinado para gostar de esportes. O menino ganha a bola do pai. Tem uma coisa da cultura mesmo. É difícil você ir contra a cultura. Eu acho chato essa coisa do homem gostar mais de esporte que a mulher, mas a gente tenta mudar isso fazendo matérias voltadas mais para o público feminino.
Ruan Melo