Desconfiar sempre! Esse é o lema de Jairo Costa Júnior, repórter especial do CORREIO. É necessário ter o olhar atento, desconfiado e ler nas entrelinhas. Confiar em uma denúncia liberada às 20:30h, por exemplo, é roubada. Isso porque o campo político conhece a rotina de um jornal e sabe que naquele horário já está acontecendo o fechamento da edição e não sobra tempo para apurar informações.
O repórter precisa ter uma agenda que funcione como uma poderosa aliada. Jairo tem 5000 contatos e confessa que possui duas agendas: aquela que ele compartilha e uma outra que permanece em sigilo. Tanto para preservar suas fontes quanto por motivos competitivos.
Jairo dá a dica: “Passear pela assembleia para tomar um café pode ser mais produtivo que a pauta recebida por seu editor”. Boas histórias podem estar pelos corredores, banheiros e elevadores. E mais: Não se pode ter cerimônia para questionar a fonte. Sabendo como perguntar, ela quase sempre deixa escapar algo.
É claro que no campo político também existem profissionais de comunicação que conduzem os atores políticos a se posicionarem adequadamente diante das perguntas dos jornalistas. Mas aí reside a graça de ambos os ramos da comunicação: saber, inclusive, contornar e reinventar suas próprias rotinas e técnicas produtivas. Mantendo sempre o olhar desconfiado, claro. 