Quando eu entrei na faculdade de jornalismo, estava totalmente envolvida na onda da moda. Mergulhei nessa onda acreditando que ia virar uma Carrie Bradshaw, morando em New York (desculpa aí, mas “Nova Iorque” ia perder todo o sentido da coisa), colunista de um jornal, torrando todo o meu salário em roupas, sapatos, bolsas e restaurantes. Bom, se eu contar pra vocês que tomei um belo caldo, não vai ser nenhuma surpresa, vai? A princípio era só aquele consumo desenfreado, mas depois comecei a perceber a profundidade do tema.
A maré foi baixando e hoje eu já entendi: a moda não tem um pingo de glamour. E o jornalismo de moda muito menos. Me desapeguei um pouco do tema, dos blogs de moda, do consumo desenfreado (até porque o salário de estagiária não ajuda muito, né?) e da fantasia, mas fiquei com as revistas. Uma das minhas frustrações é a escassez de revistas baianas que tratem a moda – e decoração, gastronomia, beleza, cultura – de um jeito bacana , moderninho, sem ser caricato e a primeira pergunta que fiz para Gabriela Cruz, a editora do Bazar & Cia, foi sobre essa escassez. A resposta é meio frustrante: a verdade é que faltam veículos voltados para esses assuntos.
O Bazar& Cia faz sua parte, é um suplemento dominical do jornal CORREIO, com carinha de revista. Moda, comportamento, decoração, turismo e gastronomia são os assuntos divididos por uma pequena e sólida equipe. Paula Magalhães é editora e a caçadora de tendências, a pauteira, também escreve a coluna Vixe. Lívia Cabral é a a subeditora. Angeluci Figueiredo é a fotógrafa exclusiva do caderno e também sugere pautas. Mariana Caldas é a produtora de moda, é ela quem produz os editoriais. Morgana Lima e Vlad Lobão são responsáveis pela arte e design do Bazar&Cia. Gabriela Cruz, como já disse antes, é editora. E ainda temos nesse barco Ronney Argolo, como repórter. Uma das peculiaridades do suplemento é que as pautas são planejadas mensalmente, o que deixa tudo mais organizado, mas não menos corrido. As coberturas dos eventos, as férias do colega, e todos os roteiros precisam estar devidamente estabelecidos, se não vira uma bagunça completa. E matéria boa é matéria pronta no deadline.
A proposta do Bazar&Cia é levar informações e facilitar o acesso à moda na Bahia. Não tem nada muito comercial e nada muito conceitual. A gente pode considerar que isso é uma democratização da moda baiana? Talvez. Acho que existem muitas questões complexas sobre a democratização da moda e o preconceito que muitas pessoas têm sobre esse tema. O alcance do público e como atingir todas as classes sociais e todos os gêneros, mesmo tratando de moda, e todos aqueles assuntos considerados “papo calcinha”, envolve também os amados e odiados anunciantes. Mas isso aí fica pra outro post.
Por falar em onda de moda e bazar, posso vender meu peixe e o peixe da amiga? Meu bazar tem a ver com moda, mas não tem a ver com jornalismo e menos ainda com esse Programa, mas pode ser um projeto de futuro, a depender do ponto de vista e também do meu destino. A verdade é que eu sou meio cara de pau e sei que um assunto puxa outro, portanto, apresento a vocês o Bazar Vaca Caliente.
E se eu já consegui ultrapassar todas as barreiras da noção, posso também apresentar o Sotero Street Style, blog da nossa colega Luana Ribeiro que é uma Jornalista de Futuro e também está no barco da moda, mas com uma visão bem urbana da coisa. Ela fotografa pessoas cheias de estilo e personalidade nas ruas de Salvador. Não é demais?