(Des)construção

(Des)construção

Por Windson Santos

 

O principal motivo pelo qual o jornalista deve ser ágil é a necessidade com a qual esbarra no seu dia a dia, de desconstruir o que já havia planejado. É preciso ter habilidade e um olhar crítico sobre seu próprio trabalho. Um acontecimento quente pode se dar a qualquer momento e isto altera toda a dinâmica planejada, ou até mesmo um anúncio publicitário de última hora pode tomar a metade de sua página. Nestes casos é exigida uma edição que adeque seu texto às condições de publicação daquele dia. Chegar a este ponto já é uma grande conquista, por tantas vezes aquela pauta que você cuidadosamente planejou, e que tanto apostou no potencial, pode nem mesmo ser aprovada para se realizar e publicar, com ou sem edição.  Foi esta a lição que aprendemos nesta segunda feira, 24.

Paulo Leandro, Secretário de Redação do CORREIO, nos propôs o simulado de uma reunião de apostas do que poderia ser notícia na edição de domingo do jornal. Aceitamos o desafio, e a tarde foi marcada pelo compartilhamento de uma grande diversidade de ideias, que foram desde o factual ao entretenimento e variedades. No primeiro momento discutimos as apostas entre nós, e posteriormente as levamos a Paulo, que comentou cada uma.

 

                                                                      Reunião de apostas com Paulo Leandro   (Foto: Carol Gomes)

 

Optei por pensar algo para atender ao interesse do público pelo mundo televisivo, sobre o qual existe certa tradição aos domingos, e propus uma matéria traçando os perfis de profissionais femininas bem sucedidas da ficção que estão no ar atualmente. A segunda ideia que apresentei voltava-se para o cenário alternativo musical baiano, propus uma reportagem sobre bandas independentes que tem conseguido formar público no estado. Foi questionado se estes temas seriam eficazes em se comunicar com os leitores de todas as classes, pois o objetivo do jornal CORREIO é alcançar o grande público, e chamou-se a atenção para o risco de cair em discussões que poderiam ter mais a ver com o ambiente acadêmico.

De certa forma, senti na prática como é ter derrubada uma pauta em que se colocava fé, mas foi bem construtivo perceber onde estavam minhas falhas. Um dos meus maiores desafios agora será o de me desprender de determinados vícios acadêmicos e exercitar meu poder de objetividade e síntese. Esta percepção já pode ser colocada como primeiro resultado pessoal da minha participação no Jornalismo de Futuro.