Um dia para aprender a apostar

Um dia para aprender a apostar

“Planejar e Desconstruir. O processo produtivo do jornal”. Durante a minha caminhada até o Correio fui pensando nas duas frases que indicavam o conteúdo programado para a segunda-feira (24). Embora a ideia fosse clara, como isso iria acontecer permanecia totalmente desconhecido para mim. No final das contas, imaginei que apenas voltaria a observar uma possível matéria sendo planejada e descontruída. No entanto, me enganei. Foi dia de aprender a apostar.

Paulo Leandro, secretário de Redação, afirmou que nosso trabalho seria pensar em pautas. Segundo ele, deveríamos simular uma reunião de apostas de matérias que poderiam ser publicadas ou não no final de semana. Tudo isso deveria ser feito nos mesmos moldes da reunião que acontece semanalmente entre os líderes de todas as editorias do Correio.

Tarefa compreendida, mãos na massa. Mesmo pegos de surpresa e sem saber por onde começar, a reunião acabou fluindo.  Alguns começaram a folhear o jornal a fim de encontrar algo interessante [eu], outros foram pensando no que acontecia no seu dia-a-dia, lembrando das suas observações particulares, outros formavam duplas visando elaborar pautas mais consistentes. No final das contas, dos dez jornalistas de futuro surgiram inúmeras possibilidades de matérias.

Simulação da discussão das pautas (Ilustração: Monique Garcez)

Apostando

 A partir daí começou a fase do debate. Foi muito interessante defender minha ideia, apostar em uma boa matéria, jogar através de argumentos baseados em pesquisa, em conhecimento sobre o caso. Foi nesse momento, quando todos passaram a elencar os motivos pelos quais as suas pautas deveriam ser publicadas, que a pauta em si era realmente construída. Críticas e sugestões começaram a jorrar de todos os lados. Por isso, vejo o trabalho em equipe como um aspecto fundamental para o jornalismo. O construir e o desconstruir caminham juntos.

Mais tarde, tivemos ainda que realizar o mesmo processo de discussão das pautas diante de Paulo Leandro. Munidos de argumentos construídos através do debate entre o grupo, o pensamento de todos era o de que estávamos preparados para qualquer questionamento feito, prontos para vender a pauta. Entretanto, não foi bem isso que aconteceu. Faltava o poder de síntese. Criamos milhões de possibilidades de abordagens dentro de uma pauta, mas não desenvolvemos a principal. Os que possuíam esta capacidade em maior grau tiveram um melhor aproveitamento de seu material.

Muitas vezes, a desconstrução é o caminho para a construção de uma matéria mais consistente. O jornalista tem a obrigação de ficar atento a tudo, a toda crítica, sugestão e, por isso, não deve se apegar ao seu próprio pensamento. No final, assim que recolhe tudo que possa agregar à sua matéria, ele deve se dedicar a sintetizar a sua ideia de tal forma que não existam dúvidas sobre qual será a sua abordagem e como ela deverá ser feita.

Ruan Melo