Por trás da capa

Por trás da capa

Dá pra julgar um livro pela capa? E um jornal? Talvez não haja uma resposta pronta para estas perguntas, mas temos que concordar que se há algo que consegue chamar a atenção do leitor, isto é a primeira página de um jornal. Quem acompanha o Correio, sabe que são comuns manchetes mais “quadradas” darem lugar a capas mais conceituais.

Nesta sexta (21), tive a oportunidade de conversar com a pessoa responsável por produzir a capa do Correio. Morgana Miranda é formada em publicidade e fez pós em design. Recentemente, ganhou o prêmio Jornalistas & Cia/HSBC de Imprensa e Sustentabilidade por ter criado o jogodasustentabilidade, publicado no Correio Imóveis. Ela contou como é criar as capas.

O processo tem início com a reunião de fechamento. Está é a hora em que os editores informam o que foi apurado e o que sairá na edição de amanhã. A partir daí, o Editor-Executivo, Oscar Valporto, informa para Morgana quais serão os destaques da primeira página. A ideia é que ela também participe das reuniões, o que nem sempre é possível. Morgana também é responsável por diagramar o jornal.

É importante destacar que o momento da produção não é algo pontual. Morgana chega à redação às 16 horas e só sai depois de enviar o material para a gráfica, lá pelas 23-24 horas. Sentada ao lado do editor-executivo ela vai recebendo as orientações e produzindo a primeira página, à medida que vai diagramando o restante do jornal.

Perguntei a ela, especificamente, sobre como foi produzir a capa do dia 11 de julho. Nesta edição, se iniciou a série de reportagens sobre violência que destacava as 1000 mortes ocorridas em Salvador até aquele momento. O Correio está concorrendo ao PrêmioEsso por três capas e duas reportagens, incluindo a das 1000 mortes.

 

Foi muito interessante conversar com quem montou esta arte. Me recordo que quando vi a capa na banca, pensei que tinha sido uma grande sacada de quem imaginou colocar os 1000 bonequinhos. Ao invés de um número frio, o leitor, de cara, tem uma dimensão do que está acontecendo. Acredite: cada bonequinho foi colocado, um por um. Homens e mulheres, na ordem em que ocorreram os assassinatos. Mas é claro que não foi feito tudo de vez. Como a reportagem levou mais tempo para ser produzida, houve tempo para se pensar e construir a capa.

Mas não pense que tempo é empecilho para se fazer uma coisa bem diferente. Uma das capas que concorrem ao Prêmio Esso foi concebida e produzida no mesmo dia. Trata-se da edição do dia 21/12/2010.

O resultado vai muito além da manchete.

Edely Gomes