Sexta é dia de… trabalho triplo

Sexta é dia de… trabalho triplo

Dia de farra, de cair na gandaia e se juntar aos amigos. Essa é a ideia comum do que deve ser uma legítima sexta-feira para quem tanto labuta. E o – não oficialmente – primeiro dia do fim-de-semana pode ser mesmo assim, mas para alguns jornalistas, só depois das 22h, 23h, 00h ou até mais tarde. Afinal, é nesse dia em que a carga de trabalho para muitos profissionais do Correio* é multiplicada por três.

Oscar Valporto fala sobre o fechamento do jornal

Na primeira semana do Programa Jornalismo de Futuro, nós, os 10 estudantes, tivemos um banho de conhecimento nas tardes de discussões na redação do Correio*. Acompanhados sempre por professores da Facom/UFBA, nos aprofundamos em temas como apuração e fechamento com profissionais do jornal. Mais de perto estiveram conosco a chefe de reportagem, Linda Bezerra, o secretário de redação, Paulo Leandro, e o editor-executivo, Oscar Valporto. Responsável por organizar anúncios, matérias e fotos nas páginas do jornal, este último é quase um arquiteto da redação. É ele quem chega para “atrapalhar” as etapas anteriores de produção (pauta, apuração e edição), como o próprio assume. “Não faço edição, mas fechamento, que é algo industrial”, conta.

Diariamente, às 10h, há uma reunião de pautas, em que Valporto e os responsaveis por cada editoria do veículo expõem quais notícias selecionadas até o momento devem entrar na edição do dia seguinte. Cartas na mesa e apostas feitas. Mas com o correr dos ponteiros, o planeta vai ganhando novos frescores, escândalos, surpresas, tragédias, aberturas, encerramentos e um mundão de novas situações que, se forem relevantes ou interessantes, fisgam a atenção da imprensa. Assumindo o fechamento do periódico, Oscar tem autoridade para escolher as imagens que vão ilustrar os textos juntamente com o editor de fotografia. Durante outra reunião, às 18h, eles definem que matérias caem e quais seguem para, no dia seguinte, chegarem às mãos e aos olhos dos leitores. Apostas refeitas, resultado já nas bancas.

Às 18h, as apotas nas matérias são refeitas

Vezes 3

E como em toda sexta-feira, o trabalho de ontem (21) foi triplicado para a redação. É nesse dia que adiantam-se as edições de domingo e segunda. Além, é claro, de fechar também a de sábado. Todos os dias, a rigor, os anunciantes têm até às 18h para enviarem seus pedidos. O fim de semana, aliás, já começa com um jornal bem recheado. Hoje mesmo foram 48 páginas do noticiário, mais 60 do caderno Auto, um sucesso de publicidade do veículo. E para quem pensou que esse fechamento serviria para dar folga à redação, está enganado, ao menos em parte. Um terço dos profissionais continuam a trabalhar no fim de semana no que eles chamam de “plantão”, para apurar as últimas notícias e levar às bancas uma leitura atualizada.

Curiosidade do dia: os assinantes do Correio* nem sempre recebem o jornal com a mesma cara do que está nas bancas. É que, através de uma pesquisa de mercado em que leitores são entrevistados por telefone, percebeu-se que capas com conteúdos “popularescos” demais – quando, geralmente, estampam alguma notícia de violência – os incomodam. Assim, para agradar a quem recebe o periódico em casa, Oscar e os diagramadores do jornal têm um pouco mais de trabalho para produzir duas capas diferentes, mas sem alteração no conteúdo interno do periódico.

Acreditando que todos os estudantes envolvidos nesse programa pensam assim, posso afirmar que é muito bom ter um espaço para tirar nossas duvidas, opinar e nos encher de novas informações sobre a profissão que queremos seguir. Pelo contato que tivemos com os jornalistas nessa primeira semana, também me sinto seguro para dizer algo mais. Rotinas da produção são frenéticas, são nervosas, são cheias e barulhentas. Entretanto, também são cheias de apaixonados pela profissão. Ao menos no Correio* – e mesmo que eles eventualmente neguem – os jornalistas têm demonstrado um imenso prazer na prática jornalística falando de suas atividades e dos resultados delas com uma alegria que contagia. Mesmo com trabalho duplo ou triplo, um stress aqui, um grito acolá, eles seguram bem a onda ou tempestade de notícias que, devido aos fortes ventos, mudam os rumos das pautas. Mas eles não podiam reclamar, afinal, era sexta-feira!

Por Dimas Novais